Candidato bolsonarista associa CoronaVac à homossexualidade: “o menino vai virar menina”

Marcelo Frazão Oliveira, que concorre à prefeitura de São Simão, no interior paulista, pelo Patriota, ostenta fotos com Jair e Eduardo Bolsonaro em cards da campanha. Ele foi denunciado pelo Ministério Público

Candidato bolsonarista à prefeitura de São Simão, no interior de São Paulo, Marcelo Frazão Oliveira (Patriota), foi denunciado pelo Ministério Público por atos homofóbicos e transfóbicos ao associar a CoronaVac, vacina produzida na China contra o coronavírus, à homossexualidade.

“Vocês vão comprometer a vida dos seus filhos e netos. Vocês vão causar síndromes perigosas que vão destruir os seus filhos e netos, inclusive no sentido de fertilidade, de homossexualismo. Então, se você quer o bem dos seus filhos, não vacine seus filhos (…) o menino pode deixar de ser menino, vai virar menina. A menina deixa de ser menina e vira menino, nessa linha”, diz Frazão, que se identifica como “Cientista político, escritor, ex professor universitário, conferencista internacional, Eng. agrônomo” nas redes, onde ostenta fotos ao lado de Eduardo e Jair Bolsonaro.

Segundo o promotor William Daniel Inácio, Frazão vai responder à ação na Justiça comum por não ter relação com a campanha eleitoral. “Não foi um ato praticado durante a campanha e nós entendemos que não há ligação com a Justiça Eleitoral na hipótese”, diz.

Quando usa o termo ‘homossexualismo’, segundo o MP, Frazão associa a orientação sexual a doença. A expressão deixou de ser usada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na lista de distúrbios mentais em 1990, sendo substituída por homossexualidade.

“Esta conduta dele nós entendemos imputável o crime de racismo porque, primeiro, não há nenhuma evidência de que a vacina cause qualquer mutação genética, mas, ao fazer a comparação de doenças com a homossexualidade e com os transexuais, ele demonstrou um extremo preconceito com os homossexuais e os transexuais”, diz o promotor.

Para o Ministério Público, em caso de condenação, Frazão pode pegar de 2 a 5 anos de prisão e pagar indenização moral coletiva no valor equivalente a 50 salários mínimos.

Leia a denúncia na íntegra

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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