Condenado por humilhar trabalhadores, Russomanno diz que tem “orgulho” dos processos

“Processos por danos morais eu tenho orgulho”, disse o candidato de Jair Bolsonaro à prefeitura de São Paulo

Enquanto adversários tentam tirar votos de Celso Russomanno (Republicanos) explorando o hábito do deputado de humilhar trabalhadores, para o candidato de Jair Bolsonaro à prefeitura de São Paulo isso é motivo de orgulho.

Levantamento feito pela Folha de S. Paulo neste domingo (25) aponta que Russomanno foi condenado em ao menos três ações nos últimos três anos por humilhar trabalhadores no “Patrulha do Consumidor”, programa que apresenta na TV Record. Autores das denúncias dizem que foram xingados nas redes sociais após aparecerem no programa e que reputações profissionais sofreram danos.

Questionado sobre a coleção de protestos durante agenda de campanha em São Paulo na manhã desta segunda-feira (26), o candidato disparou: “Processos por danos morais eu tenho orgulho. Porque eu estava defendendo alguém, alguma pessoa que eu nem conhecia, que me procurou porque estava sendo lesada. Tenho orgulho desses processos porque fiz alguma coisa de bom pra alguém”.

Leia também: Russomanno é acusado de extorquir e difamar advogado no “Patrulha do Consumidor”

Em uma das ações, a Record foi obrigada a pagar no ano passado mais de R$ 30 mil de indenização a um ex-funcionário das lojas Telhanorte. O homem diz ter sido humilhado pelo apresentador em rede nacional e ainda foi demitido por causa do episódio. Perguntado sobre esse tipo de situação, Rusomanno não se sensibilizou: “É honroso pra mim, é um tributo, é um troféu. Não quer dizer que eu não tenha credibilidade”.

Caixa de supermercado

Um dos casos de humilhação mais famosos é o de Cleide Cruz, ex-caixa de supermercado de uma das unidades do supermercado Dia na Zona Leste da capital paulista. As imagens foram gravadas em 2005, quando Russomanno era deputado estadual. Na loja, ele reivindicava o direito do consumidor de comprar apenas a quantidade de produtos que atendesse sua necessidade.

Para isso, o deputado abriu pacotes de produtos como papel toalha e caixa de fósforos, que continham mais de uma unidade de cada produto, para poder comprar as unidades separadamente, fazendo ameaças de prender a funcionária da loja e chamar a polícia.

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A Polícia Militar, inclusive, chegou a ir até o local, mas a situação já havia sido “resolvida”.

Cleide Cruz recebeu nesta sexta-feira (23) uma visita de Guilherme Boulos (PSOL), que está tecnicamente empatado em segundo lugar com o candidato de Jair Bolsonaro na disputa pela prefeitura de São Paulo.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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