Estadão reedita editorial “Uma escolha muito difícil” contra Boulos e declara voto em Covas

Estadão faz "elogios" a Boulos, que teria se mostrado "amadurecido" e deixado de lado o "figurino de agitador", mas diz que candidato do PSOL poderia levar a "aventuras estatistas"

Porta-voz da oligarquia empresarial e financeira paulista, o jornal O Estado de S.Paulo reeditou o editorial “Uma escolha muito difícil“, publicado no dia 8 de outubro de 2018, no início da disputa do segundo turno das eleições presidenciais entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (ex-PSL, atualmente sem partido), desta vez para declarar voto em Bruno Covas (PSDB) na disputa contra Guilherme Boulos (PSOL) na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

No texto, intitulado “Não é hora para aventuras”, o Estadão faz “elogios” a Boulos, que segundo o folhetim centenário teria se mostrado “amadurecido” e deixado de lado o “figurino de agitador” do MTST, para atacar um antigo inimigo, a quem se refere sempre no pejorativo termo “lulopetismo”.

“É preciso igualmente reconhecer que o desafiante de Bruno Covas, Guilherme Boulos, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), mostrou-se amadurecido. Deixou de lado o figurino de agitador que marcou sua carreira como líder dos sem-teto de São Paulo para agregar apoio a seu projeto político, o que foi suficiente para se viabilizar como um candidato de esquerda competitivo numa cidade que desde as eleições de 2016 repudia fortemente o PT e tudo o que o lulopetismo representa”, diz o texto.

Ignorando a vasta experiência de Luiza Erundina (PSOL, vice de Boulos, o Estadão repete a ladainha tucana sobre a “experiência” de Covas – que foi alçado à prefeitura paulistana após João Doria (PSDB) abandonar a cadeira para disputar o governo paulista -, embora reconheça que a diferença de idade entre os dois seja de apenas dois anos. Boulos tem 38 e Covas, 40 anos.

Como justificativa, o jornal da família Mesquita diz que Boulos e o PSOL têm como proposta “uma mudança imprudente de modelo econômico”. “Sendo assim, recomendamos o voto no prefeito Bruno Covas”.

Elogiando a “reforma administrativa” tucana e destacando a “firmeza” mesmo diante de seu “drama pessoal” pelo tratamento do câncer, o Estadão diz que em relação à economia, Boulos “e entregaria a aventuras estatistas e fiscalmente irresponsáveis cujos resultados desastrosos já são bastante conhecidos”.

“Em condições corriqueiras, tal projeto político já seria temerário; diante da crise monumental que vivemos, é tudo de que São Paulo não precisa”, relata o Estadão, transparecendo o medo daqueles que representa com a eleição de Boulos.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.