PDT descarta apoio a Paes contra Crivella no Rio; apoio a Manuela e Boulos ainda está indefinido

Partido de Ciro Gomes, que fez viagem ao exterior e recusou apoio a Haddad contra Bolsonaro em 2018, vem sendo cobrado por eleitores a apoiar candidaturas de esquerda no 2º turno das eleições municipais

Nesta segunda-feira (16), primeiro dia após o primeiro turno das eleições municipais, o termo “o PDT” ficou na lista dos assuntos mais comentados do Twitter. O nome da sigla entrou em evidência devido às cobranças que eleitores têm feito, pelas redes sociais, para que a agremiação apoie candidaturas de esquerda no segundo turno.

A cobrança tem motivo: em 2018, quando Fernando Haddad (PT) passou para o segundo turno contra Jair Bolsonaro, o candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, fez uma viagem ao exterior e se recusou a apoiar publicamente o petista. Tanto Ciro quanto seu partido se colocam no espectro progressista da política.

Agora, eleitores têm pleiteado, inclusive em postagens do PDT nas redes sociais, que o partido apoie Eduardo Paes (DEM) no Rio de Janeiro, com o objetivo de derrotar o atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), que é ligado ao bolsonarismo, e também que declare apoio a Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo e a Manuela D’Ávila (PCdoB) em Porto Alegre.

A sigla de Ciro Gomes teve candidatura própria no Rio e em Porto Alegre, com delegada Marta Rocha e Juliana Brizola, respectivamente. Em São Paulo, o partido apoiou a candidatura de Márcio França (PSB).

Em entrevista à CNN Brasil na noite de domingo (15), o presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que o partido “terá dificuldades” em apoiar Paes no Rio de Janeiro, devido aos ataques que o candidato do DEM teria feito a Martha Rocha, e que também poderia não apoiar Manuela em Porto Alegre. A emissora de TV diz que o motivo são as relações que o PDT teria com Sebastião Melo (MDB), que enfrentará a comunista no segundo turno.

À Fórum, Lupi confirmou que já está definido que seu partido não declarará apoio a Paes na capital fluminense. Sobre um apoio a Manuela, o presidente do PDT disse à reportagem que a situação ainda “está sendo discutida”.

Um possível apoio a Guilherme Boulos em São Paulo também ainda não foi definido pelo partido. O jornal O Globo informa que Lupi e Ciro Gomes gostariam de apoiar o candidato do PSOL, mas que ainda não foi tomada uma decisão sobre o assunto. À Fórum, a assessoria do PDT disse que uma definição sobre o tema deve ser divulgada até esta terça-feira (17).

O candidato apoiado pelo PDT no primeiro turno na capital paulista, Márcio França (PSB), por sua vez, mantém, até o momento, uma posição de neutralidade. Pela manhã, o ex-governador divulgou um vídeo em que parabeniza Bruno Covas (PSDB) e Boulos pela ida ao segundo turno, sem declarar apoio, no entanto, a nenhum dos dois.

Mais tarde, França divulgou uma nota em que agradece pelos votos recebidos e afirma que eventuais apoios no segundo turno serão discutidos na esfera partidária.

Confira a íntegra.

Cumprimos nosso papel ao participar de uma das mais importantes e complexas eleições da história do País. Importante porque São Paulo, a maior cidade do Brasil, necessita de medidas corajosas e urgentes diante dos problemas causados pela pandemia. Complexa porque a disputa teve um número elevado de candidatos e foi limitada pelas medidas de prevenção à Covid-19.

Cumprimentamos os candidatos que disputam o segundo turno e esperamos que não se afastem dos desafios que terão que enfrentar, sobretudo, em relação aos menos favorecidos, que passarão ainda por maiores dificuldades com o fim do auxílio emergencial e o aumento do desemprego. De nossa parte, vamos continuar atentos. Quanto à continuidade da nossa participação no pleito, só definiremos qualquer apoio após discussões no âmbito partidário, sempre de forma conjunta com as importantes forças democráticas que estiveram ao nosso lado, especialmente pela coligação “Aqui Tem Palavra” (PSB-PDT-Avante-Solidariedade-PMN-PMB).

Agradeço os mais de 727 mil votos recebidos e a valentia dos que nos apoiaram. A democracia tem, neste momento difícil de São Paulo e do Brasil, um papel ainda mais importante para o nosso futuro. Muito obrigado.

Márcio França

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.