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27 de fevereiro de 2019, 07h28

Eleitor de Bolsonaro, professor da USP chama de aberração união que não seja de “homem e mulher da mesma etnia”

"O uso de trechos do discurso de Jair Bolsonaro para reiterar seus posicionamentos homofóbicos e racistas é mais uma reafirmação de que a eleição de Bolsonaro à Presidência representou a legitimação de posicionamentos que atacam as minorias sociais do Brasil", declarou, em nota, o Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP

O professor da Faculdade de Direito da USP, Eduardo Lobo Botelho Gualazzi (Reprodução/Facebook)

Famoso por suas demonstrações de intolerância e preconceito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FD-USP), o professor Eduardo Lobo Botelho Gualazzi causou nova revolta em alunos durante aula em que classificou como “aberração” a união que não seja de “homem e mulher da mesma etnia”

“Não é família, mas apenas aberração, qualquer agrupamento, casual ou intencional, transitório ou não, clandestino ou ostensivo, de tarados ou taradas, sobrecarregados com o estigma de comportamento objetivo/subjetivo de perfil desviante, discrepante daquele padrão ideal de ‘família conjugal’, constituído pela união de um homem com uma mulher. Se alguém tiver alguma dúvida, pode consultar a Espécie Humana!… União homem/mulher da mesma etnia!…”, escreveu o professor, em texto datilografado de 12 páginas para sua aula inaugural.

Ao falar sobre suas posições ideológicas, Gualazzi voltou a atacar partidários da esquerda chamando de “minorias anti-sociais (sic) de energúmenos”, “minoria de submundo que se recusa a trabalhar e produzir”, “escrófula da sociedade, manipulada inconscientemente por pilantras rubros”.

Escreveu ainda que “contra essa minoria sórdida de destruidores invejosos do trabalho alheio, honesto e produtivo, existe somente um antídoto — GARRA E GUERRA! GUERRA TOTAL/ETERNA!”, usando letras maiúsculas.

Após dar as boas-vindas à nova turma, o professor de 72 anos, que deve se aposentar em breve, esmiuçou os fundamentos de suas crenças políticas: “a) aristocratismo; b) burguesismo; c) capitalismo; d) direitismo; e) euro-brasilidade (sic); f) família; g) individualismo; h) liberalismo; i) música erudita; j) pan-americanismo; k) propriedade privada; l) tradição judaico-cristã”.

Antes de terminar, o professor declarou ser eleitor de Jair Bolsonaro e disse que “Se ainda fosse diplomata em atividade, em exercício, consideraria uma honra servir, com abnegação e regozijo, sob o comando do diplomata Ernesto Araújo”. Em 2014, Gualazzi já havia causado revolta na comunidade acadêmica ao elogiar a ditadura e defender posições da ultra-direita.

Repúdio
Em nota, o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Usp, repudiou as declarações escritas pelo professor e entregue a alunos.

“O uso de trechos do discurso de Jair Bolsonaro para reiterar seus posicionamentos homofóbicos e racistas é mais uma reafirmação de que a eleição de Bolsonaro à Presidência da República representou a legitimação de posicionamentos que atacam as minorias sociais do Brasil, reafirmando seu discurso antidemocrático e anti-povo”.

Os estudantes dizem ainda que será cobrado um posicionamento público da Faculdade de Direito da USP e a retratação do Eduardo Gualazzi. “O Centro Acadêmico, enquanto entidade máxima representativa dos estudantes da FDUSP, estudará, em conjunto com sua comunidade acadêmica, a possibilidade de requerer que sejam tomadas medidas mais severas em relação ao comportamento reiterado do docente. Não nos calaremos”.

Leia a íntegra da nota.


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