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21 de julho de 2019, 12h02

Elio Gaspari: Livro sobre a carreira militar de Jair Bolsonaro “é encrenca da boa”

Escrito pelo repórter Luiz Maklouf Carvalho, o livro contará, entre outros episódios, como é verídica a acusação de que o croqui de bombas para um atentado nos anos 1980 era de Jair Bolsonaro

Reprodução/Revista Veja

Intitulado “O Cadete e o Capitão – a vida de Jair Bolsonaro no quartel”, e com previsão de lançamento para agosto, pela editora Todavia, o livro do jornalista de Luiz Maklouf Carvalho contará como foi o período da vida que Jair Bolsonaro parece mais se orgulhar: sua carreira no Exército.

No entanto, se qualquer indício de proeza militar ainda é desconhecida, é notório o episódio em que ele e outro oficial elaboraram um plano para explodir bombas-relógio em unidades militares do Rio, incluindo também a adutora de Guandu, que abastecia de água a cidade. O plano teria o nome de “Beco sem saída” – com pleonasmo e tudo mais.

Bolsonaro já era um conhecido crítico da política salarial dos militares, tendo tomado 15 dias de cadeia, pelo Superior Tribunal Militar (STM), por assinar um artigo na Veja em que reclamava do baixo soldo pago aos militares.

O então jovem militar admitiu “ter ferido a ética, gerando clima de inquietação na organização militar” e “por ter sido indiscreto na abordagem de assuntos de caráter oficial, comprometendo a disciplina”.

Mas pouco tempo depois, nas mesmas páginas da Veja, veio a admissão sobre o plano de detonar bombas em locais estratégicos do Rio de Janeiro. A publicação chegou a incluir esboços atribuídos a Bolsonaro que, em julgamento, negou a autoria de qualquer plano semelhante.

Em 1988, o Conselho de Justificação, todavia, foi unânime na condenação: “O Justificante [Bolsonaro] mentiu durante todo o processo, quando negou a autoria dos esboços publicados na revista Veja, como comprovam os laudos periciais”. Tais laudos eram da Polícia Federal e eram inequívocos na conclusão de que as anotações eram mesmo de Bolsonaro.

Entretanto, seis meses depois, após recorrer ao STM, o ministros da Corte consideraram Bolsonaro, por 8 votos a 4, “não culpado” das acusações. Uma vez que duas perícias confirmaram a autoria e duas não a confirmaram,  configura-se “na dúvida, a favor do réu”. Bolsonaro então “foi excluído do serviço ativo do Exército, a contar de 22 de dezembro de 1988, passando a integrar a Reserva Remunerada”. Até hoje Bolsonaro nega ser o autor do plano. Pouco tempo depois ele ingressava na vida política.

Mas em seu livro, Maklouf diz ter examinado a documentação do processo, que estará toda no livro; escutado as cinco horas de áudio da sessão secreta, já disponível no STM; entrevistado pessoas envolvidas no caso e a conclusão parece ser única: a autoria do croqui das bombas era mesmo de Bolsonaro.

Em artigo publicado neste domingo (21) sobre a obra, na Folha de S. Paulo, o jornalista Elio Gaspari foi categórico: “Pela sua documentação, o livro de Maklouf é encrenca da boa”.


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