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29 de junho de 2019, 20h39

Em artigo, Bresser afirma que acordo entre Mercosul e União Europeia “condena o Brasil ao atraso”

Para o economista, o acordo "é mais um passo no sentido de desindustrializar, o sonho dos Ocidente imperial e dos liberais dependentes brasileiros de tornar o Brasil um mero exportador de commodities, ficando cada vez mais para trás não apenas dos demais países em desenvolvimento mas também dos países ricos".

O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira publicou artigo neste sábado com fortes críticas ao acordo de livre comércio anunciado nesta sexta-feira (28), entre o Mercosul e a União Europeia. Para ele, as mudanças que viram a partir deste novo marco “condenam o Brasil ao atraso”.

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“Esse acordo é um desastre para o Brasil; é mais um passo no sentido de desindustrializar, o sonho dos Ocidente imperial e dos liberais dependentes brasileiros de tornar o Brasil um mero exportador de commodities, cujo PIB continuará crescendo a uma taxa anual por habitante de apenas 1% ao ano, ficando, dessa maneira, cada vez mais para trás não apenas dos demais países em desenvolvimento mas também dos países ricos”, definiu o economista.

O ex-ministro do governo de José Sarney, também reclama que “os economistas da Confederação Nacional da Indústria, que deviam estar preocupados com o gravíssimo processo de desindustrialização, entram no jogo (do governo) e apostam que o acordo pode agregar US$ 9,9 bilhões às exportações do Brasil”, fazendo alusão a que o acordo não permitrá alcançar tal cifra.

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Em seu texto, Bresser também cita o ex-chanceler Celso Amorim (chamado por ele de “o grande ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil”), como “o único que mostra-se preocupado, mas não com o efeito maléfico deste acordo em relação à indústria; adverte apenas que com um Brasil e seu governo muito enfraquecidos, essa não foi a melhor hora para fechar um acordo”.

Para finalizar, ele dá uma receita: “para o Brasil voltar a se industrializar e a crescer realizando o alcançamento, além de superar a crise fiscal e voltar a aumentar a poupança e o investimento público, o Brasil deveria aumentar de forma linear suas tarifas de importação de manufaturados. Ao fazer isso, não estaria sendo protecionista, mas estaria estabelecendo igualdade de condições para as empresas localizadas no Brasil (nacionais ou multinacionais) em relação às empresas localizadas em outros países”.

O artigo completo pode ser lido neste link.


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