Em conversas, Dallagnol sugeriu adulterar datas do recebimento de documentos entregues ilegalmente

Dados obtidos pela defesa do ex-presidente Lula através da Spoofing mostram o procurador driblando os canais oficiais

Em nova petição apresentada pela defesa do ex-presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (29) aparecem diálogos que fortalecem a tese de que a Força-Tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) abusou de colaborações ilegais com autoridades estrangeiras fora das vias oficiais. O coordenador da operação, Deltan Dallagnol, inclusive sugere a adulteração de dadas para não dar na vista o intercâmbio oculto.

“O novo material analisado mostra que mesmo nos casos em que houve o uso dos canais oficiais, a “lava jato” recebeu antes o material, extraoficialmente, e planejou criar elementos para acobertar a inobservância do devido processo legal”, apontam os advogados em trecho da petição, que apresento novos resultados da perícia dos arquivos da Operação Spoofing.

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O diálogo destacado pela defesa foi travado no dia 31 de janeiro de 2015. Na conversa, o procurador Vladimir Aras informa Dallagnol de um pen drive que teria chegado da Suíça. Dallagnol preferir não informar as autoridades devidas sobre a chegada desse pen drive.

Ao descreverem as mensagens específicas, os advogados afirmam que “a ‘lava jato’ recebia documentos fora dos canais oficiais e depois, se necessário, enviava apenas documentos ‘pro forma’ — e possivelmente as datas indicadas nos documentos oficiais podem ter sido adulteradas ‘para evitar questionamentos'”.

“Dani, vou te ligar, mas é conveniente que tenhamos laudos com datas posteriores ao recebimento oficial para evitar questionamentos. Há mais algumas coisas tbem”, afirma Dallagnol na conversa, sugerindo uma adulteração na data do recebimento dos documentos.

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Lucas Rocha

Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.