Fórumcast #19
02 de agosto de 2019, 20h39

Em conversas reservadas, queda de Dallagnol já é dada como certa no CNMP

Conversas que mostram coordenador da Lava Jato querendo investigar ministros do STF agravaram a crise dentro do Ministério Público Federal

(Reprodução)

Tudo indica que é uma questão de tempo para que Deltan Dallagnol sofra algum tipo de punição administrativa por ter ido longe demais nas investigações da operação Lava Jato, segundo conversas reservadas de membros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Ir atrás das contas dos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, e suas esposas, usando funcionários da Receita Federal foi um passo maior do que a perna, de acordo com integrantes do MPF. As informações são do site BuzzFeed News, que conversou com procuradores e conselheiros em condição de anonimato.

Nestas conversas reservadas, fala-se que até a procuradora-geral da república Raquel Dodge, que a princípio saiu em defesa de Dallagnol, não tem como mais manter a mesma postura diante da situação. Ela, que quer um segundo mandato à frente do órgão, depende do aval de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, como Mendes, Alexandre de Moraes e Toffoli. É justamente essa ala do STF que está mais disposta a investigar os desmandos da Lava Jato revelados pelas matérias do The Intercept Brasil feitas a partir de conversas vazadas entre os procuradores.

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Pessoas próximas a Deltan Dallagnol dizem que ele ainda está confiante que nada acontecerá com e que ficará impune pelos seus atos. Os fatos mostram o contrário. A Suprema Corte já abriu investigação e vai questionar os funcionários da Receita Federal envolvidos na espionagem para saber até onde Deltan e seus companheiros chegaram em relação aos ministros do STF.

Oficialmente, o possível afastamento de Dallagnol não se dará por conta das mensagens reveladas pela imprensa, mas por outros casos. A punição viria por ele ter criticado publicamente decisões de ministros do Supremo ou por ter agido politicamente para atrapalhar a candidatura de Renan Calheiros (MBB-AL) na eleição para presidente do Senado.


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