Em depoimento, Moro afirma que ouviu falar de “gabinete do ódio” quando era ministro

O ex-ministro disse que integrantes do governo falavam sobre a presença de Carlos Bolsonaro no gabinete

O ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça Sergio Moro disse em depoimento prestado à Polícia Federal que tomou conhecimento sobre o chamado “gabinete do ódio” montado no Palácio do Planalto através de outros ministros do governo Jair Bolsonaro. O depoimento foi prestado no inquérito que investiga os atos antidemocráticos.

“Indagado sobre como tomou conhecimento da relação de tais pessoas com o denominado ‘gabinete do ódio’, respondeu que tomou conhecimento por comentários entre ministros do governo”, diz trecho do depoimento registrado pela PF, obtido pelos jornalistas Tácio Lorran e Igor Gadelha, do Metrópoles.

Moro ainda afirmou à PF que “os nomes de CARLOS BOLSONARO e TERCIO ARNAUD eram normalmente relacionadas ao denominado Gabinete do Ódio”.

O ex-juiz não disse quem foram os ministros que comentaram sobre isso, apenas afirmou que eram “palacianos”. Ocupam o Palácio os ministros da Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Secretaria de Governo (Segov) e Secretaria-Geral. Segundo Moro, estes e o chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) podem prestar melhores informações sobre o tema.

Ele afirmou que não tratava do assunto enquanto era ministro e que só sabia dos ataques realizados pelo referido gabinete através da mídia.

O ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), removeu o sigilo dos documentos da investigação.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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