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26 de maio de 2020, 16h16

Em discurso, Maia manda recado para Bolsonaro, prega diálogo e destaca papel da imprensa livre

Presidente da Câmara, em claro recado para Bolsonaro, falou sobre a importância de se cumprir decisões do STF e ainda disse que "as únicas armas que devemos portar é a fé no trabalho e a crença na Justiça"

Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), discursou na abertura da sessão virtual desta terça-feira (26) e pregou diálogo, pacificação e independência entre os Poderes da República – em um recado direto ao presidente Jair Bolsonaro.

Esse foi o primeiro discurso público de Maia após a divulgação do fatídico vídeo da reunião ministerial de abril em que Bolsonaro e seus ministros atacam as instituições.

Em sua fala, o presidente da Câmara destacou a importância de se cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) – dando a entender que se trata de um posicionamento sobre a postura de Bolsonaro e seu ministro do GSI, general Augusto Heleno, que se colocaram frontalmente contra o pedido de apreensão do celular do capitão da reserva feito pelo STF à Procuradoria-Geral da República (PGR).

“O Parlamento cumpre as decisões do STF mesmo quando discorda”, disse Maia. “Conservamos respeito pelo Judiciário e preservamos a harmonia entre os Poderes, que compreendemos como um pilar fundamental da democracia”, completou o deputado.

Em outro recado a Bolsonaro, Maia destacou o papel da “imprensa livre e dos profissionais de comunicação para a construção da democracia”. Nas últimas semanas, incentivados pelo presidente, bolsonaristas têm intensificado agressões a jornalistas, o que fez Globo e Folha suspenderem a cobertura com repórteres no Palácio da Alvorada.

Sobre a pandemia do coronavírus, o presidente da Câmara afirmou que não são as medidas de isolamento a causa da atual crise econômica – conforme é defendido por Bolsonaro – mas, sim, o próprio vírus.

“Tenho procurado ser prudente e observar as normas, o que não pode ser confundido com medo. É preciso coragem para construir a paz. A voz dessa casa de leis deve traduzir a voz do povo brasileiro”, declarou.

Ao pregar a harmonia entre os Poderes e a preservação da democracia, Maia ainda se referiu indiretamente a Bolsonaro, mais uma vez, ao falar sobre sobre a “arma” que deve ser portada. No fatídico vídeo da reunião ministerial, o capitão da reserva defende o armamento da população.

“Temos feito muito, mas ainda há muito o que se fazer. As únicas armas que nós, brasileiros, devemos portar é a fé no trabalho, e a crença na Justiça de nosso regramento institucional”, pontuou o parlamentar.


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