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01 de fevereiro de 2019, 08h14

Em entrevista, Lulu Kamayurá trata Damares Alves como “mãe” e diz que avó foi usada em “ação política”

Sem dar muitos detalhes, Lulu confirmou ao Uol que foi retirada da tribo aos seis anos para fazer um tratamento dentário por Márcia Suzuki e, conforme Damares já havia se pronunciado em nota, só teria conhecido a atual ministra em Brasília - por quem teria "se apaixonado".

Lulu, Damares e a capa da revista Época com a avó (Montagem/Reprodução Instagram)

Em entrevista a Carlos Ohara, no Portal Uol nesta quinta-feira (31), Kajutiti Lulu Kamayurá tratou a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves como mãe e disse que acredita que os depoimentos da avó, Tanumakaru, tenha sido fruto de uma ação “política”.

Sem dar muitos detalhes, Lulu confirmou ao Uol que foi retirada da tribo aos seis anos para fazer um tratamento dentário por Márcia Suzuki e, conforme Damares já havia se pronunciado em nota, só teria conhecido a atual ministra em Brasília – por quem teria “se apaixonado”.

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Ela não sabe precisar as datas, mas diz que a mudança para casa da ministra teria ocorrido três anos após sua chegada à capital federal. Segundo Lulu, dois irmãos seus também teriam ido para a cidade e os pais a visitavam constantemente no local.

Lulu disse ainda que teve uma infância “normal, brincando como qualquer criança” na casa da atual ministra. Para ela, não houve nenhuma irregularidade na sua saída da aldeia.

Segundo o repórter, durante a entrevista, por telefone, Lulu disse que estava em deslocamento entre as cidades de Paranaguá (PR) e Itapema (SC), onde desenvolve ações para uma organização missionária com atuação nacional e internacional.

O caso
Na reportagem, liberada pela revista Época na internet após vazamento da capa da próxima edição, a avó de Lulu conta que, aos 6 anos de idade, Lulu teria sido levada por Damares da aldeia de forma irregular sob pretexto de fazer um tratamento dentário na cidade e nunca mais voltou.

Indígenas contam que Damares e Márcia Suzuki, amiga e braço direito da ministra, se apresentaram como missionárias na aldeia. “Chorei, e Lulu estava chorando também por deixar a avó. Márcia levou na marra. Disse que ia mandar de volta, que quando entrasse de férias ia mandar aqui. Cadê?”, diz a avô da garota. Questionada se sabia, no momento da partida de Lulu, que ela não mais retornaria, foi direta: “Nunca”.

Autora da reportagem, a jornalista Natália Portinari disse no Twitter que “a lei exige que a adoção de crianças indígenas passe pela Justiça, com aval do MPF e da Funai. Perguntamos a Damares se havia alguma decisão judicial desse tipo. Ela não apresentou. Perguntamos se Lulu sofria risco de vida, como alega a ministra. Ela não informou”.

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