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20 de janeiro de 2020, 20h14

Em janeiro de 98, Bolsonaro fez discurso defendendo homenagem a Hitler

Na ocasião, o então deputado federal defendeu estudantes do Colégio Militar e disse que eles enxergavam em Hitler "ordem e disciplina"

Jair Bolsonaro e o ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim (Foto: Divulgação)

A relação do presidente Jair Bolsonaro com Adolf Hitler não começou com a declaração do secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, ou com a foto tirada ao lado de “sósia” do ditador nazista em 2015. Há pouco mais de 11 anos, o ex-capitão fazia um discurso defendendo que estudantes do Colégio Militar de Porto Alegre homenageassem Hitler.

Segundo reportagem do Congresso em Foco, o nazista foi escolhido como “personalidade admirada” por 84 dos 158 estudantes formados na turma de 1995 da instituição. O então deputado federal aproveitou ainda para elogiar a “disciplina” de Hitler e atacar o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

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Com ataques à mídia, Bolsonaro disse: “Esses garotos, entre tantos outros, são filhos de militares e estão realmente carentes de ordem e de disciplina neste país. Enquanto o nosso presidente da República não dá exemplo disso, eles têm que eleger aqueles que souberam, de uma forma ou de outra, impor ordem e disciplina”.

No fim da fala ele ainda disse não concordar “com as atrocidades cometidas por Adolf Hitler”.

Veja na íntegra o discurso do hoje presidente Jair Bolsonaro em 21 de janeiro de 1998:

“Sr. Presidente

A verdade é essa: o povo sofre, e sofre muito, com essa mídia que prática a desinformação. Não informa das verdades que acontecem nesta Casa. Nós só levamos paulada o tempo todo, mas quem vem aqui corromper alguns parlamentares é o Executivo. Isso, através da televisão, nós mostraremos aos poucos para todo o Brasil.

Já que se fala em privatização, acredito que é preciso privatizar, em primeiro lugar, a grande imprensa, porque 500 milhões de reais saem do contribuinte para comprar a consciência do povo brasileiro por meio da desinformação que parte da grande mídia. É uma grande covardia para com o nosso povo.

O Alexandre Garcia, por sua vez, não está nem um pouco preocupado com a sua previdência. Quem ganha a fortuna que ele ganha do contribuinte durante a sua vida útil – que, para mim, é uma inutilidade- não tem de se preocupar com o seu futuro. Ele tem bens mais do que suficientes para levar uma boa vida.

Em tempo, quero deixar patente minha revolta com a grande mídia, um tanto quanto servil, que criticou duramente o Colégio Militar de Porto Alegre apenas porque 9 entre 84 , alunos resolveram, eleger entre Conde Drácula, Hércules, Nostradamus, Rainha Catarina, Átila – só faltou FHC -, Hitler como personalidade histórica mais admirada. Se eles tivessem eleito FHC, logicamente estariam elegendo o pai do Governo mais corrupto da História do Brasil, porque ele não admite que nenhuma denúncia de corrupção seja apurada por esta Casa. Ele não é exemplo para a juventude.

Um colégio sério, com o Colégio Militar de Porto Alegre, para que tenha qualidade, tem de ter liberdade de expressão. Reitere-se que os alunos – a maioria é formada por menores – pagam por esta revista, portanto têm liberdade de escrever o que bem entenderem. Devemos respeitar esta juventude que começa, a partir destes debates e desta matéria na imprensa, a se preparar para ser, no futuro.

Ao mesmo tempo, gostaria de criticar o Centro de Comunicação Social do Exército, que anunciou que vai acompanhar a revista.

Esses garotos, entre tantos outros, são filhos de militares e estão realmente carentes de ordem e de disciplina neste país. Enquanto o nosso presidente da República não dá exemplo disso, eles têm que eleger aqueles que souberam, de uma forma ou de outra, impor ordem e disciplina, se bem que, como o jovem aluno do Colégio Militar que não foi para a Escola preparatória de Cadetes do Exército, de nome Roberto dias torres júnior, nós também não concordemos com as atrocidades cometidas por Adolf Hitler.

Sr. Presidente, esta é a minha manifestação.”


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