#Fórumcast, o podcast da Fórum
30 de setembro de 2019, 19h09

Em livro, Janot diz que Dallagnol e turma o pressionaram para denunciar Lula por organização criminosa

Janot revelou em seu livro que participou de reunião com procuradores da Lava Jato em que, segundo ele, houve pressão para inverter denúncias e dar prioridade ao caso Lula

Foto: Agência Brasil

Além de confessar que planejou assassinar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, dizer que foi procurado por Michel Temer e Aécio Neves com propostas indecentes para barrar investigações e trazer à tona outras revelações dos bastidores de seu cargo como procurador-geral da República, Rodrigo Janot contou no recém-lançado livro “Nada menos que tudo” que o chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e outros procuradores da operação o pressionaram para denunciar o ex-presidente Lula por organização criminosa.

Os relatos de Janot confirmam as reportagens da série Vaza Jato, que mostram um conluio parcial entre o MP e a Justiça para levar o petista à prisão.

Em seu livro, o ex-PGR conta que foi procurado por Deltan Dallagnol, que tentou pressioná-lo para dar prioridade nas denúncias contra Lula. Janot teria recusado o pedido pois não poderia desobedecer uma decisão do então relator da Lava Jato no STF, o falecido ministro Teori Zavascki.

“Eles [os procuradores da Lava Jato] haviam me pedido para ter acesso ao material e eu prontamente atendera. Na decisão, o ministro deixara bem claro que eles poderiam usar os documentos, mas não poderiam tratar de organização criminosa, porque o caso já era alvo de um inquérito no STF, o qual tinha como relator o próprio Teori Zavascki e cujas investigações eram conduzidas por mim”, contou Janot. Os procuradores, no entanto, ignoraram a decisão do ministro do STF e, no famoso power point apresentado à imprensa, colocaram Lula no centro da organização criminosa.

“Eles queriam que eu denunciasse imediatamente o ex-presidente Lula por organização criminosa, nem que para isso tivesse que deixar em segundo plano outras denúncias em estágio mais avançado”, escreveu o ex-PGR no capítulo 15 do seu livro. Janot relatou a recusa ao pedido de Dallagnol para inverter os processos e dar prioridade ao caso Lula.”Não, eu não vou inverter. Vou seguir o meu critério. A que estiver mais evoluída vai na frente. Não tem razão para eu mudar essa ordem. Por que eu deveria fazer isso?’, respondi”.

Paludo disse, então, que Janot teria que denunciar o PT e Lula logo. Isso porque, se não tomasse tal decisão, a denúncia apresentada pela força-tarefa contra o ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ficaria descoberta. “Pela lei, a acusação por lavagem depende de um crime antecedente, no caso, organização criminosa”, conta o ex-procurador-geral. “Ou seja, eu teria que acusar o ex-presidente e outros políticos do PT com foro no Supremo Tribunal Federal em Brasília para dar lastro à denúncia apresentada por eles ao juiz Sergio Moro em Curitiba. Isso era o que daria a base jurídica para o crime de lavagem imputado a Lula”.

“Ora, e o que Dallagnol fez? Sem qualquer consulta prévia a mim ou à minha equipe, acusou Lula de lavar dinheiro desviado de uma organização criminosa por ele chefiada. Lula era o ‘grande general’, o ‘comandante máximo da organização criminosa’, como o procurador dizia na entrevista coletiva convocada para explicar, diante de um PowerPoint, a denúncia contra o ex-presidente. No PowerPoint, tudo convergia para Lula, que seria chefe de uma organização criminosa formada por deputados, senadores e outros políticos com foro no STF”, prossegue Janot no livro.

 

*Com PT no Senado 


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum