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09 de setembro de 2019, 16h58

Em meio a suspeitas, Lava Jato denuncia Lula e seu irmão Frei Chico

A denúncia surge no momento que a operação é desmascarada pelos vazamentos do The Intercept. Busca disputar espaço na mídia e reconstruir a narrativa contra Lula

Foto: Eduardo Matysiak

No momento em que a Lava Jato está sendo desmascarada pela divulgação de amplo material pelo The Intercetp Brasil e veículos parceiros, a força-tarefa denunciou, nesta segunda-feira (9), Lula e seu irmão, Frei Chico, por corrupção passiva continuada. Desmoralizada pela Vaza Jato, a operação volta suas baterias contra o ex-presidente, com o objetivo de reconstruir a narrativa contra ele.

Emilio e Marcelo Odebrecht, donos da empresa, além do ex-diretor, Alexandrino de Salles Ramos Alencar, foram denunciados por corrupção ativa continuada.

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De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), entre 2003 e 2015, Frei Chico, sindicalista, teria recebido R$ 1.131.333,12, por intermédio de pagamento de “mesada”, que variava de R$ 3 mil a R$ 5 mil.

Ainda segundo o MPF, Frei Chico teria iniciado relação com a Odebrecht nos anos 90. Ele chegou a ser contratado como consultor para intermediar um diálogo entre a Odebrecht e os trabalhadores.

Rescisão

Em 2002, com a eleição de Lula, a Odebrecht entendeu por bem rescindir o contrato da consultoria prestada por Frei Chico. Entretanto, teria decidido manter uma “mesada” ao irmão do presidente eleito.

O MPF aponta, ainda, que, ao contrário do que acontecia com a remuneração pela consultoria prestada por Frei Chico até 2001, a “mesada” que começou a receber em 2002 era feita de forma oculta, por meio do “Setor de Operações Estruturadas” da Odebrecht, responsável por processar os pagamentos de propina feitos pela companhia.

De acordo com a denúncia, os pagamentos a Frei Chico eram feitos em razão do cargo de Presidente da República, então ocupado por Lula e, assim como outras vantagens por ele recebidas, visavam à obtenção, pela empresa, de benefícios junto ao governo federal.

Em seu interrogatório, Frei Chico admitiu que recebeu pagamentos da Odebrecht. No entanto, alegou que as consultorias que prestava continuaram depois de 2003.

Outro lado 

Em nota, a defesa de Lula nega as acusações e ressalta que a denúncia do MP “repete as mesmas e descabidas acusações já apresentadas em outras ações penais contra o ex-presidente”.

Confira, abaixo, a íntegra da nota.

A denúncia oferecida hoje (09/09/2019) em São Paulo pelos procuradores da franquia “Lava Jato” contra Lula repete as mesmas e descabidas acusações já apresentadas em outras ações penais contra o ex-presidente, em especial, a ação penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000 (caso do imóvel que nunca foi destinado ao Instituto Lula), que tramita perante a 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba e a ação penal nº 1026137-89.2018.4.01.3400/DF, que tramita perante a 10ª. Vara Federal Criminal de Brasília (caso Janus).

Lula jamais ofereceu ao Grupo Odebrecht qualquer “pacote de vantagens indevidas”, tanto é que a denúncia não descreve e muito menos comprova qualquer ato ilegal praticado pelo ex-presidente. Mais uma vez o Ministério Público recorreu ao subterfúgio do “ato indeterminado”, numa espécie de curinga usado para multiplicar acusações descabidas contra Lula. O ex-presidente também jamais pediu qualquer vantagem indevida para si ou para qualquer de seus familiares.

A denúncia sai no dia seguinte de graves revelações pelo jornal Folha de S. Paulo de atuação ilegal da Lava Jato contra Lula, mostrando a ocultação de provas de inocência e ação indevida e ilegal voltada a romper a democracia no país.

O uso de processos criminais e a repetição das mesmas e descabidas acusações em processos diferentes comprova que Lula é vítima de “lawfare”, que consiste no abuso das leis e dos procedimentos jurídicos para promover perseguições política

Cristiano Zanin Martins

 

 


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