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14 de fevereiro de 2019, 07h37

Em meio ao laranjal do PSL e sob fogo do clã Bolsonaro, Bebianno pode cair atirando

Secretário-geral da Presidência, coordenador e principal articulador da campanha de Jair Bolsonaro, Bebianno tem munição para aprofundar crise no núcleo central do governo

Jair Bolsonaro e Gustavo Bebianno durante a campanha (Divulgação)

Envolvido em denúncias de esquema de desvio de recursos do PSL com candidaturas laranjas e sob fogo cerrado do clã Bolsonaro e de aliados próximos a Jair Bolsonaro (PSL), o secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno resiste em pedir demissão e pode aprofundar a crise no centro do governo caso seja demitido.

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Com a saúde ainda abalada após 17 dias no hospital e demonstrando apatia, Bolsonaro foi à Record horas após deixar o Albert Einstein para dar declarações sobre as denúncias de candidaturas laranjas e embasou o filho, Carlos Bolsonaro (PSC/RJ), que havia divulgado nas redes sociais que Bebianno mentiu sobre a troca de telefonemas com o presidente.

“É mentira”, disse um combalido Bolsonaro, que teve a negativa do telefonema divulgado em áudio no Twitter pelo filho “pitbull”. Senador e principal liderança bolsonarista no Congresso, Major Olímpio (PSL/SP), também já pediu a cabeça de Bebianno, ao declarar que “se proceder alguma acusação, não dá para estar no time de confiança do presidente”.

Consciente de que a cabeça está sendo entregue em uma bandeja, Bebianno disse em entrevista à Globonews também na noite desta quarta-feira (13) que não pedirá demissão e reafirmou que manteve contato com Bolsonaro.

“Tratamos de um assunto institucional e de um outro assunto relacionado à viagem que seria feita ao Pará. E essa viagem foi adiada por conta do pedido do presidente e foi feito ontem. Então, o contato houve, houve troca de mensagens por WhatsApp. Alguns poucos áudios, foi isso que aconteceu.”

Mostrando que pretende cair atirando, Bebianno alfinetou o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, que utiliza as redes sociais para criar intrigas no governo.

“Da minha parte eu sempre semeio a paz, a concórdia. O Brasil tem problemas sérios que precisam ser resolvidos. Acompanhei o presidente durante toda a pré-campanha, quase dois anos, e acho que é hora de trabalhar. Eu não entro nesse tipo de discussão, não sou homem de postar coisas em redes sociais, não faz parte da minha rotina.”

Capitão da campanha
Coordenador da campanha de Jair Bolsonaro, Bebianno foi o principal articulador que levou o ex-deputado ao PSL e assumiu a presidência da sigla durante o pleito – substituindo o principal cacique do partido, Luciano Bivar (PSL/PE).

A denúncia do laranjal na sigla teria afetado inclusive a relação com Bivar e Bebianno está isolado. No entanto, o secretário-geral da Presidência tem informações preciosas sobre processos judiciais do partido e também do recursos da campanha, coordenados e liberados por ele.

Bebianno ainda pode coordenar um levante dentro do próprio PSL, de parlamentares e políticos que não gostaram da ingerência de Carlos Bolsonaro, que pertence ao PSC, na crise instalada no núcleo central do governo.

A exposição pública da cabeça de Bebianno pode gerar revolta na base aliada e atiçar a reação do, até então, principal conselheiro de Bolsonaro. E Bebianno tem muita munição para uma guerra contra o clã Bolsonaro.

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