sábado, 19 set 2020
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Em nota, Monica Benicio, viúva de Marielle, pede novamente acesso à investigação sobre assassinato da vereadora

Monica Benicio, viúva de Marielle Franco, emitiu nota na madrugada desta quarta-feira (30) pedindo novamente o acesso ao processo de investigação do assassinato da esposa.

“De um lado sofro com a falta de informação, de outro com a imprensa me perguntando sobre algo que não pude acessar”, disse Monica, referindo-se à reportagem do Jornal Nacional desta terça-feira (29) que revela que, em depoimento, o porteiro teria dito que o ex-policial Élcio Queiroz disse que iria à casa 58 do condomínio onde mora Jair Bolsonaro, mas se dirigiu à casa de Ronnie Lessa, no dia da execução da vereadora.

Segundo Monica, a mais recente recusa se deu no pedido de informações sobre os autos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. “Uma dor que já dura quase 600 dias. As notícias relacionadas à execução de uma vereadora democraticamente eleita, em exercício de seu mandato, sejam elas quais forem, são gravíssimas. Porque a situação é gravíssima!”, afirma.

Leia a íntegra da nota de Monica Benício

Uma dor que já dura quase 600 dias. As notícias relacionadas à execução de uma vereadora democraticamente eleita, em exercício de seu mandato, sejam elas quais forem, são gravíssimas. Porque a situação é gravíssima!

Grave, porque fere o direito à vida. Grave, porque fere a democracia. Grave, porque há mais de um ano e sete meses não tenho a resposta para o que aconteceu.

A verdade é que a resposta para quem mandou matar Marielle e quais foram as motivações desse crime não trará nem ela, nem Anderson de volta.

Mas é preciso falar da dor para além da política, e é desse lugar que vem minha voz ou que ecoa meu silêncio.

É preciso dizer que, nos últimos dias, mais uma vez, fui surpreendida por informações muito importantes, de forma dolorosa, por meio da imprensa. Informações cujo acesso me é negado sob a justificativa de que as investigações correm sob segredo de Justiça.

Desde o início do caso, tenho dedicado minha vida a acompanhar o processo de perto e a cobrar justiça. Solicitei, desde o início, acesso aos processos e inquéritos que apuram os autores, mandantes e a motivação do crime que levou ao assassinato da minha esposa.

A mais recente recusa se deu no pedido de informações sobre os autos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça.

Defendo que o processo ocorra de maneira segura, comprometido com a verdade dos fatos, mas que seja de forma transparente, com respeito ao direto de acesso da família. De um lado sofro com a falta de informação, de outro com a imprensa me perguntando sobre algo que não pude acessar.

Além de muito doloroso, é inaceitável e inconstitucional que à família seja negado o direito de acompanhar integralmente a apuração deste caso, ao mesmo tempo que a sociedade brasileira e o mundo exigem uma resposta. A recusa de dar o direito a um acompanhamento completo do caso só me gera mais sofrimento.

Nesse momento, só me cabe dizer que espero que todas as instituições brasileiras responsáveis pela realização da justiça investiguem com profundidade e isenção, o envolvimento de toda e qualquer pessoa que possa ter algum tipo de relação com esse crime hediondo.

Os responsáveis devem ser identificados e devidamente responsabilizados pelo que fizeram para que nunca mais algo parecido possa voltar a ocorrer nesse país. Em nome de todo o amor que sinto por Marielle e respeito que tenho à democracia do meu país, a única coisa que espero das autoridades brasileiras é justiça. E essa satisfação o Brasil hoje deve ao mundo que quer saber: Quem mandou matar Marielle e por quê?

Monica Benicio

Redação
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