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08 de abril de 2020, 20h49

Em novo pronunciamento, Bolsonaro volta a defender a cloroquina contra o coronavírus

Mais cedo, órgão de saúde dos Estados Unidos mudou um texto que recomenda o uso da substância e informou que a cloroquina ainda "está sob investigação de ensaios clínicos"

Reprodução

Em novo pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão feito na noite desta quarta-feira (8), o quinto desde o início da pandemia do coronavírus no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da cloroquina para o tratamento de pacientes com o novo coronavírus.

A substância, entretanto, ainda não teve sua eficácia totalmente comprovada e ainda está em fase de estudos.

No pronunciamento, Bolsonaro afirmou que conversou com o médico Roberto Kalil Filho, que mais cedo admitiu ter feito o uso da cloroquina para se tratar da Covid-19, mas que ponderou que é preciso esperar o resultado de estudos científicos feitos por instituições sérias como a Fiocruz.

O presidente, no entanto, omitiu a ponderação de Kalil e ainda parabenizou o médico por ter usado a substância.

Nesta quarta-feira (8), o Centro de Prevenção e Controle de Doença dos Estados Unidos (CDC) mudou a redação de um texto que fala sobre o uso de hidroxicloroquina e cloroquina em pacientes com o novo coronavírus. Agora, o órgão aponta apenas que as substâncias “estão sob investigação em ensaios clínicos”.

No início do pronunciamento, o presidente tentou adotar um tom um pouco mais ameno e pregando união, dizendo que seu objetivo “sempre foi salvar vidas” e prestando solidariedade às famílias que perderam parentes para o coronavírus.

Com o avançar do discurso, no entanto, Bolsonaro voltou a polarizar com governadores, que têm adotado medidas de isolamento, medida que o presidente é contra.

“Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Medidas restritivas são de responsabilidade dos mesmos. O governo federal não foi consultado”, disparou.

Assim como fez no último pronunciamento, Bolsonaro voltou a citar de forma descontextualizada a fala do diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, para justificar sua defesa do fim do isolamento.

“Os mais humildes não podem deixar de se locomover. As consequências do isolamento não podem ser maiores que as do vírus”, afirmou, sem citar que a OMS recomenda que os governos auxiliem as pessoas que não podem trabalhar para que possam fazer a quarentena.

Além de criticar o isolamento e defender o uso da cloroquina, Bolsonaro falou sobre o auxílio emergencial de R$ 600 aprovado pelo Congresso para trabalhadores informais como se fosse um trunfo de seu governo. A verdade, no entanto, é que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pretendia destinar apenas R$ 200 como renda emergencial. O valor aprovado foi pleiteado pela oposição.

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