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17 de janeiro de 2020, 22h14

Em orientações para 2020, Secretaria de Cultura de Bolsonaro repetiu retórica nazista

O desejo de refundar a cultura e a "luta contra o que degenera" o setor cultural estavam presentes em circular enviada em 14 de janeiro

Roberto Alvim (Foto: Clara Angeleas)

Não foi apenas no discurso de anúncio do Prêmio Nacional de Cultura que a Secretaria que era chefiada por Roberto Alvim usou termos alinhados com o discurso do ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels. Em e-mail enviado aos altos funcionários da Cultura no início de 2020, José Paulo Soares Martins – número dois da secretaria e atual secretário interino – falou em “renascimento da cultura” e elevação da nação.

“Há o interesse precípuo em promover o renascimento no cenário cultural e artístico, fortalecidos por princípios e valores da nossa civilização, onde a Pátria, a Família, a determinação e, em especial, a nossa profunda ligação com Deus, norteie o que nos propomos a realizar. Que o nosso trabalho tenha as virtudes da fé, da lealdade, da coragem e da luta contra o que degenera; e que estas virtudes sejam alcançados ao território sagrado das obras de arte. Uma Cultura com obras que configurem toda a importância para a harmonia dos brasileiros com a sua terra e sua natureza, elevando a nação acima de interesses particulares”, diz trecho de e-mail obtido pela jornalista Amanda Audi, do The Intercept Brasil.

Medeiros fala também em um “desafio de reformular o ambiente da cultura em nossa sociedade, há anos influenciada por uma conduções impróprias aos propósitos aqui mencionados”. Ele fala em um “nova visão que vamos implementar para a cultura brasileira”.

Segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, o desejo de refundação da cultura é uma marca do nazifascismo. “Goebbels também partia da ideia de que precisava iniciar a cultura do zero. Ele [o ex-secretário] também reproduz toda a retórica de Goebbels”, disse em entrevista ao Jornal Nacional.

A mensagem foi enviada no dia 14 de janeiro e ainda fala em uma grande reunião no dia 22 de janeiro. A saída de Alvim pode mudar os planos da pasta, mas demonstra que o plano evocado pelo agora ex-secretário estava sendo colocado em prática internamente.

Confira aqui o documento obtido pelo The Intercept.


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