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03 de agosto de 2018, 00h21

Em programa na internet, Bolsonaro e mais quatro homens debatem aborto, laqueadura e DIU

Preocupado com “assassinato de crianças”, Jair Bolsonaro quer facilitar porte de armas para vigilantes e caminhoneiros

(Foto: Reprodução/Facebook)

O candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) participou na noite desta quinta-feira (2) de uma entrevista com três jornalistas apoiadores de sua campanha: Bernardo Küster, Allan dos Santos e Flavio Morgenstern. Ao lado do deputado federal há 27 anos, estava um de seus filhos, Flávio, deputado estadual do Rio de Janeiro, e Paulo Guedes, coordenador de seu programa econômico.

Os cinco homens brancos conversaram sobre vários assuntos, e um deles ocupou boa parte do segundo bloco da transmissão ao vivo: o aborto. Os participantes mostraram-se indignados com a audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), que começa nesta sexta (3) e vai até segunda (6), sobre descriminalização do aborto.
“Não tem cabimento o Supremo decidir aborto, quem tem que decidir somos nós”, disse Jair, ignorando que apenas para a participar das discussões o STF recebeu mais de 500 petições, o que mostra que a sociedade quer debater o tema.

Questionado se caso o aborto fosse aprovado no Congresso, o que ele faria se fosse presidente, Jair foi enfático: “Se o parlamento aprovar aborto, minha caneta vai vetar”. Bolsonaro ainda sustentou que as mulheres podem fazer laqueaduras e colocar DIU (método contraceptivo) para não abortar.

É curioso como essa temática preocupa tanto Bolsonaro e seus apoiadores, motivados pela suposta “defesa da vida”, já que chamam a interrupção da gestação de “assassinato de crianças”. No início do programa, no entanto, ele prometeu, caso eleito fosse, facilitar o porte de armas. “Irresponsável é o governo que desarma o cidadão de bem e deixa a bandidagem bem armada”, disse o candidato. Ele defendeu facilidades para que vigilantes e até caminhoneiros andem armados, sem qualquer preocupação se isso pode provocar mais mortes.

Aborto, debate necessário

A Pesquisa Nacional do Aborto 2016 (PNA 2016), realizada pela Anis – Instituto de Bioética e Universidade de Brasília (UnB) mostra que uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já fez, pelo menos, um aborto no Brasil. Em 2015, foram 417 mil mulheres no Brasil urbano, e 503 mil mulheres ao se incluir zona rural e mulheres não alfabetizadas. Assim, meio milhão de mulheres fez aborto em 2015 no Brasil. São pelo menos 1.300 mulheres por dia, 57 por hora, quase uma mulher por minuto. “A pesquisa revela que o aborto é uma questão urgente de direitos humanos no Brasil, em particular de saúde pública. Meio milhão de mulheres em 2015 arriscou a vida e a segurança para realizar, ilegalmente, um aborto”, diz a Anis.


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