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07 de fevereiro de 2019, 20h17

Em vídeo, deputado que quis proibir DIU e pílula ataca feministas

Deputado que queria proibir métodos contraceptivos, legislando sobre o corpo da mulher, ainda atacou a imprensa. Sua proposta, retirada de pauta, causou indignação

Após a repercussão negativa e a retirada de tramitação do projeto de lei que proíbe a distribuição e a comercialização de contraceptivos como a pílula do dia seguinte e o dispositivo intrauterino (DIU), o autor, deputado Márcio Labre (PSL-RJ), em uma live no Facebook para seus seguidores, atacou as feministas e disse que pretende debater o uso desses métodos.

Labre repetiu a justificativa da nota de seu gabinete, de que a proposta estava inacabada e teria sido enviada por engano. “Foi usado como texto base para a gente tratar de questões envolvendo abortivos, colocar em debate assuntos futuramente. Não como imposição de lei, nem nada, mas [para] abrir o debate sobre a pílula do dia seguinte, que alguns estudos aí vêm alegando que na verdade é um abortivo”, afirmou. “Entendo que existe um grupo muito forte no Brasil de grupos pró-vida que querem levar esse debate para frente para esclarecer mulheres sobre processos abortivos que vêm sendo vendidos como contraceptivos.”

Ao querer legislar sobre o corpo da mulher, o deputado recebeu diversas críticas. “A ciência não conhece ‘micro-abortivos’, mas a imaginação bolsonarista não tem limites quando o tema é perseguir mulheres. Deputado quer banir métodos modernos — o efeito é reverso: só faz aumentar número de abortos”, afirmou Debora Diniz, antropóloga, professora da UNB e pesquisadora da Anis: Instituto de Bioética. “É a religião crescendo cada vez mais na legislação”, disse o youtuber Felipe Neto, que tem milhões de seguidores.

‘Guilhotina’

O deputado criticou o que chamou de “hecatombe no meio progressista e na imprensa de esquerda” e disse ter sido “jogado em uma guilhotina, como se tivesse cometido o pior crime do mundo”. “Como alguém pode ir para a guilhotina por defender a vida?”, questionou. Ele também atacou as feministas e disse que elas tentaram “contaminar sua reputação”.

“Vocês que odeiam uma vida inocente e defendem quem faz o mal depois que sabe o que é certo o que é errado. E feminazis, podem fazer o que quiser (sic), pois a gente vai comprar muita briga. As mulheres de bem desse país não querem ver vocês nem na esquina”, conclui.

A Fórum foi o primeiro veículo a divulgar a o projeto de lei, no Blog do George, e também a existência de um outro projeto de lei de Labre, que proíbe o aborto em casos de estupro.


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