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05 de novembro de 2019, 09h05

Empresário que coagiu funcionários a votarem em Bolsonaro anuncia boicote à Globo

Dono de rede de supermercados no Paraná suspendeu propagandas nos jornais e novelas da emissora alegando "sensacionalismo" e "ataques" ao presidente Jair Bolsonaro

Pedro Joanir Zonta com Bolsonaro, Moro e Ricardo Salles (Montagem)

A rede de supermercados Condor Super Center, do Paraná, afirmou em nota nesta segunda-feira (4) que decidiu suspender propagandas na TV Globo devido aos “ataques” dos jornais da emissora contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL). O dono da rede, Pedro Joanir Zonta, é o mesmo que coagiu seus funcionários a votarem no então candidato Bolsonaro em 2018, ameaçando cortes no 13º salário e férias caso o mesmo não fosse eleito.

Segundo informou a empresa, por meio de nota, o boicote à Globo “limita-se aos programas jornalísticos nacionais, que são Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Fantástico”. O Condor também afirma que o corte vale para as novelas “Malhação” e “das 21h”. Para a empresa, os programas contrariam “os princípios e valores familiares”.

O primeiro anúncio de boicote à Globo foi feito no domingo (3), já citando que o presidente Jair Bolsonaro estava sofrendo ataques nas coberturas jornalísticas. A reação do bolsonarista Joanir Zonta, que coleciona fotos com Bolsonaro, Sergio Moro e Ricardo Salles nas redes sociais, veio após reportagem do Jornal Nacional, do dia 29 de outubro, que revelou a visita de um dos suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco ao Condomínio Vivendas da Barra, onde mora Ronnie Lessa e Bolsonaro.

A reação do empresário acompanha as ameaças do presidente de não renovar a concessão da emissora. Só na última semana, Bolsonaro veio à público por três vezes para criticar a Rede Globo, também alegando que a “mamata” havia acabado, em referência a verbas de publicidade do governo federal. Críticas ao jornal Folha de S.Paulo se tornaram igualmente frequentes no governo do capitão reformado.

https://www.facebook.com/RedeCondor/photos/a.220283487995367/2890818787608477/?type=3&theater

Ameaças

O empresário Pedro Joanir Zonta foi acusado em 2018 pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), da Procuradoria-Geral do Trabalho e do Ministério Público Eleitoral (MPE) do Paraná, de coagir seus funcionários a votarem no então candidato Jair Bolsonaro. Por meio de carta, Zonta apontava que votaria no candidato do PSL e elencava 11 motivos para justificar sua escolha e 11 para não votar “na esquerda”. Entre os tópicos, o empresário diz que Bolsonaro é “a favor da família”.

Para o MPT, o ponto polêmico da mensagem é o destaque à afirmação de “não haver corte no 13ª salário e nas férias dos empregados do grupo”, que é composto por 48 lojas no Paraná e em Santa Catarina. “Nesta carta, fica o meu compromisso, com você meu colaborador hoje, de que não haverá de forma alguma, corte no 13º e nas férias dos colaboradores do grupo Condor”, diz Zonta, que completa em seguida: “Acredito no Bolsonaro, votarei nele e peço que confiem nele e em mim para colocar o Brasil no rumo certo”.

Segundo denúncia recebida pelo MPT, a carta poderia sugerir que funcionários não receberiam 13º salário e férias em caso de derrota do candidato do PSL, o que representaria uma ameaça aos funcionários.

Para evitar uma multa de R$ 100 mil, o empresário fez um acordo com o MPT, divulgando nova carta aos trabalhadores, desta vez afirmando que a sua rede “respeita as leis trabalhistas e os tratados de direitos humanos, e que não tolera a imposição ou direcionamento nas escolhas políticas dos empregados durante o processo eleitoral”.


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