Empresários da Fiesp condenam conluio entre Skaf e Bolsonaro e decretam “morte anunciada” da indústria

Ex-presidente da entidade empresarial, Horácio Lafer Piva assina artigo com os colegas Pedro Passos e Pedro Wongtschowski, que diz que a "Fiesp está em acelerado processo de destruição", "centrada na sua insignificância, num processo de autoengano"

O ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, em conjunto com Pedro Passos, ex-presidente do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e conselheiro da Natura Cosméticos, e Pedro Wongtschowski, atual presidente do Iedi e conselheiro da Ultrapar, assinam um duro artigo na edição da Folha de S.Paulo nesta terça-feira (21) condenando o conluio entre o atual presidente da instituição, Paulo Skaf, com Jair Bolsonaro, que pode decretar a “morte anunciada” da indústria.

“O que fazem os presidentes de sindicatos e os bons nomes que ocupam conselhos da entidade, a com seu silêncio compactuar com o uso político, partidário mesmo, escolhas duvidosas, culto a personalidades?”, indagam os industriais, sobre o “escárnio” com que tem sido ouvida a Fiesp.

“Temos nos perguntado onde estão os colegas industriais. E se por ventura estão no núcleo ou na órbita desta Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) dos últimos anos. Como não agem para que ela readquira seu papel de relevância e compromisso, respeite sua origem e sua carta de princípios, seja ouvida com respeito e não escárnio, aponte caminhos em conjunto com outras representações, muitas das quais também necessitam de urgente renovação?”.

O texto diz ainda que a “Fiesp está em acelerado processo de destruição”, “centrada na sua insignificância, num processo de autoengano” e lamenta a destruição na cadeia produtiva da indústria.

Segundo levantamento recente feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para o jornal O Estado de S.Paulo, entre 2015 e 2018, ao menos 17 indústrias fecharam as portas por dia entre 2015 e 2018, totalizadno 25.376 fábricas fechadas no período.

“Empresas bem estruturadas continuarão sua marcha bem-sucedida e independente, mas, estamos certos, lamentarão, senão a falta de interlocução, o fraquejar de sua cadeia de fornecedores e subfornecedores nacionais, e seu espaço de coparticipação com outros pares da indústria. Uma pena. Morte anunciada”, diz o artigo.

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