No rastro do óleo do Nordeste
04 de novembro de 2019, 08h38

“Enquanto permanecer essa visão estúpida do Guedes, o futuro que nos aguarda é o Chile”, diz Stedile, do MST

João Pedro Stedile avalia que a classe trabalhadora brasileira pouco se mobilizou contra as reformas realizadas pelo governos de Temer e Bolsonaro, mas que isso é "questão de tempo"

Foto: Valter Campanato

Em entrevista ao UOL, o coordenador nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stedile avalia que a classe trabalhadora brasileira pouco se mobilizou contra as reformas realizadas pelo governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL), mas que isso é “questão de tempo”. De acordo com ele, por conta das medidas neoliberais do atual governo, “o futuro que nos aguarda é o Chile”.

“Certamente o povo brasileiro vai se levantar muito antes do que o Bolsonaro imagina”, avalia Stedile. “Enquanto permanecer esse tipo de política, essa visão estúpida do [Paulo] Guedes, o futuro que nos aguarda é o Chile”, conclui, em referência à economia liberal do país vizinho que gerou as recentes manifestações populares contra o governo chileno. Para ele, ainda, Bolsonaro não tem base social nas Forças Armadas para cumprir a promessa de reprimir eventuais protestos no país.

“A classe trabalhadora não se mobilizou, mas isso é só questão de tempo. Porque a lógica da mobilização das massas não é uma questão que depende de direção ou nós aqui decidirmos. Há uma lógica que leva um tempo até as massas se darem conta”, explica Stedile, defendendo que o país verá em breve grandes mobilizações contra o atual presidente.

O coordenador do MST ainda compara a situação chilena com o cenário de outros países da América Latina. “Vocês viram aí no Chile. Foi aumentando, aumentando a panela de pressão. Aí quando eles aumentaram em 20 centavos a passagem do metrô, explodiu. Ou seja, todo aquele tensionamento vai explodindo. Assim aconteceu no Peru, assim aconteceu no Equador. Aqui no Brasil também vai ser assim”, explica.

Ocupações

Com relação à luta no campo, Stedile avalia que a conjuntura política dos últimos anos levou a uma diminuição das ocupações de propriedades. Segundo ele, a preocupação com a violência fez com que os trabalhadores rurais passassem a ter uma disposição menor para realizar este tipo de ação.

“Entramos em um período de letargia. Não é que a forma de luta [ocupação] foi abandonada, mas em cada região as massas vão analisando como se comportar para também não servir de bucha de canhão”, acrescenta.

 


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