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26 de maio de 2020, 14h42

Entenda a operação da PF contra corrupção no governo Wilson Witzel

Investigação contra governador do Rio para apurar desvio de dinheiro público durante a pandemia possui duas vertentes: uma jurídica e outra política

Reprodução

A Operação Placebo, instaurada nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal para apurar desvio de dinheiro público no governo do Rio de Janeiro, sob gestão de Wilson Witzel (PSC), possui duas vertentes. Uma delas é jurídica; a outra, política.

Leia também: PF faz operação na casa do governador Wilson Witzel após troca de comando no Rio de Janeiro

A questão jurídica presente na operação da PF está na apuração de um possível esquema de corrupção durante o processo de instalação de hospitais de campanha no estado como medida de combate ao coronavírus.

Em nota divulgada em seu site, a Polícia Federal afirmou que “Operação Placebo tem por finalidade a apuração dos indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (COVID-19), no Estado do Rio de Janeiro”.

A primeira-dama do Rio, Helena Witzel, também é alvo da operação. A Polícia Federal chegou a encontrar um contrato do escritório de advocacia da esposa do governador com uma das empresas investigadas.

Segundo os investigadores, há diversas irregularidades em um dos contratos emergenciais feitos pelo governo do Rio com uma organização social para a construção de sete hospitais de campanha. O contrato foi fechado no valor de R$ 835 milhões.

Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca no Rio e também em São Paulo, além de apreensão dos celulares dos investigados. A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Perseguição política

Há também um questão política em jogo. Antigo aliado de Jair Bolsonaro na campanha de 2018, Witzel passou a ser atacado pelo ex-capitão por defender medidas divergentes com relação ao enfrentamento da pandemia.

Assim como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que também virou alvo de insultos do presidente, Witzel se posicionou a favor do isolamento social contra o coronavírus. Bolsonaro, no entanto, enfatizava a recuperação da economia e reabertura dos comércios.

A operação contra Witzel ocorre 22 dias após a posse de Rolando de Souza para a diretoria-geral da Polícia Federal, após o Supremo Tribunal Federal (STF) suspender a nomeação de Alexandre Ramagem, delegado que é próximo dos filhos de Jair Bolsonaro, em especial do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Uma das primeiras ações de Rolando de Souza à frente da corporação foi justamente substituir o comando da PF no Rio de Janeiro.

Segundo o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, Bolsonaro fazia pressão por mudanças nos comandos do RJ e Pernambuco. O desejo do presidente, segundo Moro, era proteger os filhos de investigações da organização, conforme foi confirmado pelo próprio Bolsonaro em vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril.

“É a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda”, disse Bolsonaro na reunião. Na ocasião, ele também chamou Witzel de “estrume”.

A operação contra Witzel também pode ser entendida, portanto, como uma tentativa de retaliação do presidente contra um inimigo político. O próprio governador afirmou em pronunciamento nesta terça que se sente alvo de uma “perseguição política“.

“Não foram encontrados valores, não foram encontrados joias. Se encontrou, foi apenas a tristeza de um homem e de uma mulher pela violência com que esse ato de perseguição política está se iniciando no nosso país. O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores que forem considerados inimigos”, alertou Witzel.

Questionado por jornalistas sobre a operação, presidente parabenizou a Polícia Federal. “Parabéns à Polícia Federal. Fiquei sabendo agora pela mídia. Parabéns à Polícia Federal, tá ok?”, disse, na saída do Palácio da Alvorada.


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