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19 de dezembro de 2019, 17h06

Envolvimento de Flávio Bolsonaro com corrupção pode fazer PF sair das mãos de Moro

No Planalto, já cogita-se a ideia de recriar o Ministério da Segurança Pública, que iria para as mãos de Alberto Fraga, ex-deputado que caluniou Marielle Franco; caso da corrupção de Flávio Bolsonaro envolve o chefe do Escritório do Crime, grupo miliciano investigado pelo assassinato da ex-vereadora

Reprodução

A operação do Ministério Público do Rio de Janeiro deflagrada nesta quarta-feira (18), que escancarou um suposto esquema de corrupção que envolveria Flávio Bolsonaro e seus ex-assessores quando era deputado estadual, pode pavimentar ainda mais a ideia que já circula no Planalto de se recriar o Ministério da Segurança Pública para, assim, retirar a Polícia Federal das mãos de Sérgio Moro e deixá-la sob o comando do suposto futuro ministro da pasta, o ex-deputado Alberto Fraga.

Fraga, que é muito mais próximo ao presidente Jair Bolsonaro do que Sérgio Moro, sendo considerado um “assessor extra-oficial do presidente”, foi aquele caluniou a ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, dizendo que ela “engravidou aos 16 anos”, era ex-esposa do traficante Marcinho VP, usuária de drogas e defensora do Comando Vermelho. O ex-deputado ainda disse que ela teria sido eleita com o apoio da facção e exonerado seis funcionários.

A investigação sobre a “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro, isto é, o esquema de corrupção de repasse de salários de assessores e lavagem de dinheiro, pode fazer a Polícia Federal entrar no jogo e, neste caso, entregar o órgão para o comando de um político próximo à família Bolsonaro, como Alberto Fraga, viria a calhar. Ainda mais diante do fato de que um dos envolvidos no suposto esquema de corrupção de Flávio, o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, era chefe do chamado Escritório do Crime, grupo miliciano que pode estar por trás do assassinato de Marielle, a caluniada por Fraga.

Vale lembrar que, apesar de Bolsonaro tentar se associar a Moro para melhorar sua imagem, já que o ex-juiz ainda detém certo prestígio na opinião pública, o atual ministro da Justiça estaria cogitando ser candidato à presidência em 2022, o que incomodaria o presidente.

Rachadinha do Flávio 

Na manhã desta quarta-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro cumpriu uma série de mandados de busca e apreensão em endereços de ex-assessores do ex-deputado estadual e atual senador Flávio Bolsonaro . No relatório do MP, Flávio aparece sendo apontado por crimes de lavagem de dinheiro.

Além disso, Flavio teria recebido repasses do policial militar Diego de Sodré de Castro Ambrósio, investigado por assediar moradores de Copacabana, no Rio de Janeiro, com “serviços de segurança privada”, através de sua esposa Fernanda Antunes Bolsonaro, dois assessores do então deputado estadual e uma loja que Flavio comanda. Foram feitos pagamentos em forma de boletos bancários, transferências e depósitos, que seriam oriundos da chamada “rachadinha”, uma prática ilegal de repasse de salário de assessores – isto é, um esquema de corrupção.

 

Flávio Bolsonaro, milicianos e a rachadinha


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