Fórum Educação
19 de março de 2020, 15h05

Ernesto Araújo defende Eduardo Bolsonaro e diz que reação de embaixador da China foi “desproporcional”

Em nota confusa, Araújo aponta que diplomata chinês atacou "Chefe de Estado" do Brasil ao criticar o filho do presidente

Foto: Arthur Max/MRE

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, embarcou na polêmica criada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) contra a China, principal parceiro comercial do Brasil.

Em nota, Araújo minimizou os ataques do filho do presidente e cobrou uma retratação do embaixador chinês, Yang Wanming, que criticou a postura do filho do presidente. Segundo o chanceler, ao reclamar de Eduardo, o diplomata estaria “ofendendo o Chefe de Estado” do Brasil.

“É inaceitável que o Embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao Chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores, como infelizmente ocorreu ontem à noite. As críticas do Deputado Eduardo Bolsonaro à China […] não refletem a posição do governo brasileiro”, escreveu o chanceler sem detalhar qual seria a “postagem ofensiva”.

“Cabe lembrar, entretanto, que em nenhum momento ele ofendeu o Chefe de Estado chinês. A reação do Embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática”, disse ainda Araújo.

Entenda o caso

O problema diplomático criado por Eduardo Bolsonaro surgiu quando ele decidiu acusar o Partido Comunista Chinês pela pandemia de coronavírus. “Quem assistiu Chernobyl vai entender o q ocorreu.Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. +1 vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste,mas q salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução”, tuitou.

A declaração incomodou a Embaixada da China no Brasil, que disse que Eduardo “contraiu vírus mental” em Miami, nos EUA, e cobrou um pedido de desculpas. O embaixador também tuitou: “As suas palavras são um insulto maléfico contra a China e o povo chinês. Tal atitude flagrante anti-China não condiz com o seu estatuto como deputado federal, nem a sua qualidade como uma figura pública especial”.

“A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e à Câmara dos Deputados”, escreveu ainda Wanming .

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou logo de tentar consertar o problema criado pelo parlamentar, desculpando-se em nome da Câmara e ressaltando os laços entre os países. Eduardo, no entanto, acionou suas milícias virtuais contra o país asiático.

Confira a nota de Ernesto Araújo:


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