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02 de abril de 2019, 18h04

Ernesto Araújo discorda de definição de Nazismo do Museu do Holocausto

Para chanceler brasileiro, classificações de historiadores dos movimentos totalitários “são muito superficiais”

Foto: Agência Brasil

Por Pedro Moreira, de Jerusalém, especial para a Fórum

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse nesta terça-feira (2) que ao classificar o nazismo alemão da Segunda Guerra Mundial como “de esquerda”, queria “lançar um debate”, para que “as pessoas discutam o que é realmente o conteúdo de diferentes movimentos totalitários e ver por aí o que eles têm em comum.”

Perguntado sobre o que achava da explicação sobre o movimento nazista que consta na página do Museu do Holocausto Yad Vashem na internet, que classifica o partido de Adolf Hitler como de extrema direita, o ministro disse que é preciso estudar mais o tema.

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“É o tipo de coisa que eu procurei apontar para que as pessoas estudem, para que as pessoas tentem ler a história de acordo com uma perspectiva talvez um pouco mais profunda do que simplesmente essas classificações muito superficiais.”

Mais cedo, Araújo acompanhou o presidente Jair Bolsonaro em uma visita ao museu, como parte da agenda do terceiro dia da passagem por Israel. Eles participaram de uma cerimônia em homenagem às vítimas e àqueles que lutaram contra o genocídio dos judeus da Europa.

O ministro disse que não conversou com os historiadores do museu na visita de hoje. “Não conversei. Apenas olhamos a exposição que estava acontecendo.”

O chanceler brasileiro defende que é preciso “ver o conteúdo do que se entende por totalitarismo, o que se entende por extrema direita, o que se entende por extrema esquerda ao longo da história, sobretudo no século XX.”

Para ele “muitas vezes a associação do nazismo com a direita foi usada para denegrir movimentos que são considerados de direita, linhas de pensamento que são consideradas de direita que não têm nada a ver com nazismo. Movimentos conservadores, que são denegridos ao terem a imagem associada ao nazismo.”

As declarações foram dadas no único contato de Araújo com a imprensa durante a visita oficial do governo brasileiro a Israel que durou três dias. Nos eventos públicos e mesmo em folgas na agenda, quando vários integrantes da comitiva circulavam pelo lobby do hotel em que o presidente estava hospedado e conversavam com os jornalistas, Ernesto preferiu o isolamento.

O chanceler afirmou que o governo não pensa em nenhuma alteração nas relações com a Palestina, descartando a retirada do escritório diplomático brasileiro de Ramalah, no território palestino ocupado da Cisjordânia. E disse ver com “muita tranquilidade” a reação do mundo árabe com a visita de Bolsonaro a Israel. “Entendemos que essa visita possa ter suscitado algumas preocupações, queremos ouvir, como tínhamos ouvido um pouco antes, queremos ouvir as preocupações deles, num espírito totalmente construtivo e de amizade que nós temos com eles também. Estaremos prontos a ouvir e esclarecer alguma coisa sobre a nossa relação com Israel, que como eu dizia, não tem que ser um jogo de soma zero com relação aos países árabes, muito pelo contrário, queremos avançar com ambas as vertentes.”

O ministro também foi perguntado sobre as implicações políticas da ida de Bolsonaro ao Muro das Lamentações acompanhado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Como a possível interpretação de que o Brasil estaria reconhecendo a soberania de Israel no local, que fica em uma área disputada. Além da proximidade das eleições israelenses, em que Netanyahu concorre ao quinto mandato.

“Foi um momento de homenagem à religião judaica, que a gente interpreta como um dos pilares da fé cristã, que é a fé do presidente. Não vejo dimensão política, não.”

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