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17 de abril de 2019, 06h00

Erundina: conquistas sociais nunca estiveram tão ameaçadas

Com 40 anos de vida pública, a deputada afirma que o governo Bolsonaro persegue quem faz política para servir ao povo e aposta que ataques a direitos da maioria podem levar à derrota a reforma da Previdência

Erundina: "É uma luta de todo dia, de toda a vida" - Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo

Referência para mulheres e para o campo progressista, com 84 anos de idade e 40 de vida pública, a deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP) é categórica: desde a redemocratização, nunca os direitos sociais sofreram ataques tão brutos e estiveram tão ameaçados quanto agora, sob o governo de Jair Bolsonaro (PSL).

“A Previdência Pública, que integra o Sistema de Seguridade Social, é uma conquista que custou muito caro ao nosso povo, sobretudo para a maioria, que são as mulheres, os negros e os pobres. Junto com a saúde e assistência social, representam um capítulo fundamental da Constituição Federal. Não dá para tratar cada pilar separadamente. Estão atacando esses segmentos, justamente porque sobre eles querem exercer controle”, avalia a parlamentar.

Assistente social, Erundina conhece de perto o sofrimento da classe trabalhadora e sabe o quanto a afetarão os ataques ao direito à aposentadoria e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a pessoas com deficiência e idosos de baixíssima ou nenhuma renda.

“Sem isso, elas não têm como sobreviver. O aposentado que recebe a miséria não consegue sequer comprar os remédios, que são uma condição para a vida. Isso é sinal da maldade, da crueldade desse governo, que não gosta de pobre e persegue quem faz política para servir ao povo. Isso é uma luta de todo o dia, de toda a vida.”

A deputada afirma ainda que o governo Bolsonaro tenta enganar a população ao vender a ideia de que a PEC da reforma da Previdência impulsionará a economia e gerará empregos, lembrando que, com Michel Temer (MDB), o mesmo foi dito a respeito da reforma trabalhista.

“Estão destruindo tudo aquilo que foi construído ao longo de 80 anos [referindo-se à CLT]. As leis precisam ser atualizadas, mas não podemos retroceder, e sim fortalecer o que é justo para a economia. Mais gente tendo salário, tendo rendimento, é consumo; e consumo faz a economia circular no País.”

Impor a derrota

Apesar do cenário posto, Luiza Erundina acredita que o povo brasileiro já dá sinais de que não vai tolerar o desmonte da Previdência. A partir disso, ela aposta que a votação da reforma pode simbolizar a primeira derrota ao governo Jair Bolsonaro.

“Pode ser um ponto decisivo para salvar o Brasil desse atraso, fundamentalismo e ignorância, que estão sendo fatores de muito constrangimento a todos nós que demos nossas vidas para construir uma nação livre, soberana e justa”, diz a deputada, citando ainda a subserviência do presidente aos Estados Unidos: “nos deixa humilhados”.


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