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03 de julho de 2019, 09h54

Escola com partido: professores de direita lançam movimento nacional

Os mais próximos da direita e do Bolsonarismo reclamam que são alvo de piadas e de fofocas de alunos e colegas de profissão. “Estamos entusiasmados com o novo governo e podemos mostrar que não há só esquerda na universidade", disse um dos professores que integra o Movimento Docentes Pela Liberdade

Eduardo Bolsonaro defende o projeto Escola sem Partido no Congresso (Foto: Lula Marques)

Professores universitários bolsonaristas lançam nesta quarta-feira (3) uma associação que pretende influenciar dentro das salas de aula. Críticos de esquerda, os docentes defendem pautas conservadoras e organizam eventos para divulgar o movimento Docentes Pela Liberdade (DPL).

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Em busca de mais espaço nas universidade e no governo após alçada de Jair Bolsonaro à presidência, professores alinhados com o liberalismo e com o conservadorismo começaram a se articular.

Segundo Gabriel Alves, da Folha de S. Paulo, o grupo lamenta que sempre sofreram com o “ônus” de se posicionar contra a esquerda. Os docentes mais próximos da direita e do Bolsonarismo reclamam que são alvo de piadas e de fofocas de alunos e colegas de profissão.

O biólogo Marcelo Hermes-Lima, da UnB, no entanto, diz que o grupo não se limita à direita. “O termo direita tem uma conotação ruim porque exclui quem é de centro”, disse à Folha. Ele diz que a universidade não é plural.

Rafael de Menezes, professor de direito civil da Universidade Católica de Pernambuco e juiz da 8ª Vara Cível de Recife, diz que o DPL pretende levantar bandeiras como as da “valorização da família, do comércio, da liberdade de empreender e dos valores conservadores que nos trouxeram [a humanidade] até aqui”, afirmou.

“Estamos entusiasmados com o novo governo e podemos mostrar que não há só esquerda na universidade. Professores de direita, conservadores e liberais também têm seu espaço, e o grupo quer mostrar isso”. completou Menezes.

Coordenadora da ONG Ação Educativa e doutora em educação pela USP, Denise Carreira avalia que o grupo tem o direito de se organizar, mas que algumas pautas defendidas são preocupantes, como é o caso do Escola Sem Partido, exaltado por alguns dos participantes. “A gente pode ler essa situação como um grupo que retoma agendas tradicionais, elitistas, ligadas à meritocracia e em reação às conquistas de democratização das universidades. Será que essa associação vai defender as instituições de ensino? Será que vão lutar por mais dinheiro para a educação e para a ciência e tecnologia?”, questionou.


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