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30 de julho de 2018, 20h18

Especialista em redes, Malini prevê Lulismo x Bolsonarismo no primeiro turno

Em artigo, o especialista em redes e pesquisador sobre ciências de dados, Fábio Malini, explicou como a discussão política deve se dividir em dois polos no primeiro turno das eleições presidenciais de outubro. Confira

Reprodução

Em seu Facebook, o especialista em redes e pesquisador sobre ciências de dados, Fábio Malini, divulgou neste domingo (29) um texto em que, com base nas reações das redes sociais e pesquisas de intenção de voto, analisa o cenário eleitoral e faz projeções para o primeiro turno da eleição presidencial, que acontece em outubro.

De acordo com Malini, as discussões devem caminhar, até o dia da eleição, para a divisão de dois polos em disputa: o bolsonarismo e o lulismo.

Confira, abaixo, a íntegra da análise do pesquisador.

Nota sobre o primeiro turno

Bolsonaro (17%), Marina (15%), Alckmin (6%), Álvaro Dias (4%) hoje disputam o mesmo campo, o voto conservador. Dentro desse circuito, Marina e Álvaro portam um discurso mais radical, o combate à corrupção e o apoio irrestrito à Lava Jato. Alckmin e Bolsonaro, o discurso antipetista. O crescimento de um depende da queda do outro.

Lula (30%), Ciro (6%), Manuela D’ávila (2%) e Boulos (1%) disputam o voto mais liberal. Ou, como eles agora gostam de chamar, o voto progressista. É um pólo com identidade mais coesa, com Ciro e Boulos defendendo atualmente pautas mais à esquerda em relação à Manu e Lula.

Ambos pólos estão fragmentados. E com candidaturas bem consolidadas, segundo as sequentes pesquisas eleitorais.

A pergunta: quem irá para o segundo turno? A minha percepção, em função das movimentações digitais, é a seguinte. Do dia 16 de agosto até o dia 17 de setembro, só haverá um único tema nas redes: Lula está inelegível? Haverá todo circo montado: oposição, TSE, defesa, STF, toda essa parafernália jurídica sendo Trending Topics nas redes sociais. Hoje, para se ter uma ideia, a média de tuítes com menções aos candidatos já passa de 1 milhão por semana. Quando o carnaval eleitoral chegar, o clima vai esquentar. Como a imprensa brasileira depende de notícias sobre Lula (garante muitas visualizações), Bolsonaro depende de Lula (porque é o tema que permite ampliar a carga viral de suas mensagens), o eleitor de Lula depende de atos e polêmicas (todos eles sacodem os vários cantos da internet), Lula será o fantasma nos sonhos e pesadelos eleitorais. Para salpicar de emoção o período, as instituições brasileiras vão bater cabeça sobre o tema, o que incluem aí os próprios candidatos.

O PT, o partido que mais saca de marketing eleitoral no Brasil, não perderá seu tempo, endereçando uma polarização com Bolsonaro, inflando-o de “clima de opinião”, o que diminuirá a margem de manobra para obtenção de votos de outros candidatos do campo conservador. Por consequência, Marina e Alckmin vão ter de “bater” no Sargentão (tendo conviver com o fato de que o que faz cair, as causas das mulheres, é um tema mais “progressista” do que conversador. Tudo isso ampliará a toxicidade das campanhas da Rede e do PSDB, o que faz afastar o eleitor, que sempre vê essa atitude um ataque excessivo como choro de perdedor.

Quando decretada a inegibilidade de Lula (com aquela comoção toda nas redes), o PT lançará o seu candidato, portanto, nas vésperas da votação, momento que a população começa a decidir em quem vai votar. A internet será o vetor para a alta temperatura criando o clima de comoção política. E a televisão, com seus telejornais, vai ter de repercutir tudo isso. É esse tempo da televisão – a chamada mídia espontânea – o mais importante de ser obtido, e não o do horário gratuito.

Mantida a resiliência de Bolsonaro e a alta taxa de transferência do voto lulista (vitaminada pela comoção eleitoral), o primeiro turno se define, ao meu ver, nesse dois pólos: lulismo versus bolsonarismo.

É o que eu penso, salvo melhor juízo.

Nada mais havendo do que tratar, lavro essa ata.

 


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