Estudo de “universidade alemã” contra máscaras citado por Bolsonaro é desmentido por checagem da OMS

Pesquisa, na verdade, foi apenas uma enquete online feita com pais. Relatório aponta limitações no levantamento e possível parcialidade dos participantes

Em sua live semanal desta quinta-feira (25), o presidente Jair Bolsonaro citou um suposto estudo de uma “universidade alemã” que teria apontado efeitos negativos do uso de máscaras contra Covid-19 em crianças.

O estudo, no entanto, foi desmentido por um portal de checagem ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se, na verdade, apenas de uma enquete online com baixo rigor metodológico feita com pais na Alemanha.

“Pessoal, começam a aparecer estudos aqui, não vou entrar em detalhes, sobre uso de máscaras. Em um primeiro momento aqui, uma universidade alemã fala que elas são prejudiciais às crianças”, disparou o presidente na live, sem dizer em qual universidade o estudo foi feito, quando e nem quem são os autores.

A pesquisa citada por Bolsonaro é um artigo que foi publicado no dia 2 de janeiro deste ano pelo GreenMedInfo, uma plataforma online que reúne pesquisas sobre “medicina natural”.

O artigo promove “um estudo alemão” que supostamente descobriu que o uso de máscaras faciais causa “grandes impactos negativos” nas crianças. Algumas das queixas citadas na pesquisa foram dores de cabeça, dificuldade de aprendizagem e “sensação de doença”.

O portal francês Health Feedback, membro de um projeto da OMS para checagem de informações que circulam na internet relacionadas à vacina do coronavírus, fez diversas críticas ao estudo em questão, apontando poucos critérios científicos e possível parcialidade dos participantes.

“O estudo não pode demonstrar uma relação causal entre o uso de máscara e esses efeitos em crianças, devido a limitações em seu desenho. O estudo também não levou em consideração fatores de confusão, como a presença de doenças ou condições preexistentes em crianças, que poderiam causar os mesmos efeitos negativos relatados. Os pais entrevistados no estudo também podem ser inclinados a não usar máscara, o que pode influenciar suas respostas”, diz o resumo do relatório produzido pelo portal.

A checagem também aponta que a pesquisa online não foi revisada por pares e tampouco houve um grupo de controle ou padrões de coleta de dados. Além disso, o estudo foi ignorado pela maior parte da imprensa alemã.

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Luisa Fragão

Jornalista.