No rastro do óleo do Nordeste
29 de setembro de 2019, 09h47

Ex-comunista, Aldo Rebelo defende discurso de Bolsonaro sobre a Amazônia na ONU

“O presidente abordou corretamente essa outra Amazônia praticamente desconhecida”, disse Rebelo, hoje no Solidariedade

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Militante do PCdoB durante boa parte de sua trajetória política, o ex-comunista Aldo Rebelo definitivamente mudou o discurso e agora defende as posições de Jair Bolsonaro. Para ele, o presidente abordou corretamente, em seu discurso na ONU, na semana passada, a existência de uma Amazônia desconhecida, tratada pelas ONGs como um paraíso intocável.

Rebelo ocupou os ministérios de Defesa, Esporte, Ciência e Tecnologia e articulação política nos governos do PT. Hoje, é filiado ao Solidariedade, que integra o chamado Centrão no Congresso.

Em entrevista a Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo, para o Estado de S.Paulo, Rebelo defendeu Bolsonaro: “A abordagem da questão da Amazônia a partir de uma perspectiva que não é a das ONGs, que tratam a floresta como um santuário desantropizado. Ou seja, para essas pessoas, parece que não mora ninguém na Amazônia. E lá vive a população mais abandonada no Brasil, que são os índios e ribeirinhos, com a mais alta taxa de mortalidade e analfabetismo”.

“O presidente abordou corretamente essa outra Amazônia praticamente desconhecida. Mas Bolsonaro assumiu uma posição muito defensiva no caso da Amazônia. Podia ser mais explicativa. Basta recorrer aos grandes intelectuais que abordaram a questão da Amazônia. Os ensaios do Euclydes da Cunha, o Josué de Castro com o livro Geografia da Fome e outros”, disse.

Questionado se as críticas internacionais em relação às queimadas na Amazônia interferem na soberania brasileira, o ex-comunista afirmou que este é um tema que representa o encontro de duas agendas.

“Uma é a preocupação com o meio ambiente no mundo inteiro, que é uma coisa legítima e verdadeira. Há problemas ambientais graves no mundo e provavelmente os mais graves não estejam nem no Brasil. Há outra questão que é o fato de a Amazônia sempre ter sido um ambiente de disputa. O Tratado de Tordesilhas não apareceu por acaso. Em 1492 as duas potências coloniais do mundo (Portugal e Espanha) já disputavam aquilo ali. Fizeram um tratado. As crônicas do século 19 registram a presença da Marinha americana no rio Amazonas”, ressaltou.

Soberania

Rebelo destacou, ainda que os Estados Unidos sempre tiveram interesse na Amazônia. “Aliás, foram os mais interessados. Eles consideram para efeito de política de defesa que a área de influência dos Estados Unidos se estende ao Caribe, quase na nossa fronteira. Eles criaram a 4ª Frota. Sempre consideraram a América do Sul como área de interesse deles. Tem setores do governo que, na verdade, não separam a soberania brasileira da americana. É como se fosse uma soberania subordinada”.


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