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17 de maio de 2020, 15h17

Ex-ministros da Defesa lançam nota de apelo às Forças Armadas pra defender a democracia

Sem citar o atual presidente, os ex-ministros pedem que os militares sigam a Constituição

Um grupo de ex-ministros da Defesa divulgou uma nota com um apelo para que as Forças Armadas ignorem os pedidos de uma intervenção militar em favor do governo de Bolsonaro.

Sem citar o atual presidente, os ex-ministros pedem que os militares sigam a Constituição, que determina que as Forças Armadas só podem ser convocadas a intervir em caso de “anarquia por algum dos Poderes constituídos”. Assinam a nota Aldo Rebelo, Celso Amorim, Jaques Wagner, José Viegas Filho, Nelson Jobim e Raul Jungmann.

Bolsonaro tem se juntado a manifestações de apoiadores de seu governo que pedem intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional.

Leia a nota na íntegra:

NOTA

As Forças Armadas são instituições de Estado com importante papel na fundação da nacionalidade e no desenvolvimento do país. Sua missão indeclinável é a defesa da pátria e a garantia de nossa soberania. Merecidamente, desfrutam de amplo apoio e reconhecimento da sociedade brasileira.

Diante das imensas dificuldades decorrentes da crise imposta pela pandemia do coronavírus, cujos efeitos se alastram, de forma trágica, pelo Brasil, as Forças Armadas cumprem importante papel no enfrentamento das adversidades e na manutenção da unidade e do ânimo da população.

A democracia no Brasil, mais que uma escolha, conforma-se como um destino incontornável, que necessita da contribuição de todos para o seu aperfeiçoamento.

A Constituição estabelece no seu artigo 142 que as Forças Armadas “destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos poderes constituídos e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

Não pairam dúvidas acerca do compromisso das Forças Armadas com os princípios democráticos ordenados pela Carta de 1988. A defesa deles tem sido, e continuará sendo, fundamento de sua atuação.

Assim, qualquer apelo e estímulo às instituições armadas para a quebra da legalidade democrática –oriundos de grupos desorientados– merecem a mais veemente condenação. Constituem afronta inaceitável ao papel constitucional da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, sob a coordenação do Ministério da Defesa.

É o que pensamos na condição de ex-ministros de Estado da Defesa que abaixo subscrevemos.

Aldo Rebelo
Celso Amorim
Jaques Wagner
José Viegas Filho
Nelson Jobim
Raul Jungmann


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