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28 de fevereiro de 2019, 13h23

Ex-padre confessa participação em desvio de R$ 52 milhões e implica igreja Católica do Rio de Janeiro

Wagner Augusto Portugal, que durante anos foi braço direito do cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, confessou sua participação no desvio de R$ 52 milhões nos cofres estaduais

Foto: Reprodução

Um dos colaboradores da Operação S.O.S., desdobramento da Lava Jato no Rio, o ex-padre Wagner Augusto Portugal, que durante anos foi braço direito do cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, confessou sua participação no desvio de R$ 52 milhões dos cofres estaduais envolvendo contratos da Secretaria de Estado de Saúde do Rio com a organização social católica Pró-Saúde em 2013.

O delator, diretor de Relações Institucionais e de Filantropia da Pró-Saúde, frequentava o Palácio São Joaquim, residência oficial de Dom Orani, e tratava o arcebispo com intimidade, chamando-o de “você” — muito distante do protocolar “Eminência” reservado aos demais cardeais.

As investigações, conduzidas pelos procuradores da República da Operação Calicute, versão da Lava Jato no Rio, caminhavam em segredo até a terça-feira dia (26), quando o ex-governador Sérgio Cabral (foto), em nova estratégia de defesa assentada na confissão, prestou depoimento ao juiz Marcelo Bretas:

“Não tenho dúvida de que deve ter havido esquema de propina com a OS (organização social) da Igreja Católica, da Pró-Saúde. Não tenho dúvida. O Dom Orani devia ter interesse nisso, com todo respeito ao Dom Orani, mas ele tinha interesse nisso. Tinha o Dom Paulo, que era padre e tinha interesse nisso. E o Sérgio Côrtes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital São Francisco. Essa Pró-Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia religiosos. Não tenho a menor dúvida”.

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A força-tarefa da Lava Jato ainda busca conexões entre o dinheiro desviado e a vida pessoal de sacerdotes ligados à Pró-Saúde. As investigações apuram se compras de roupas, artigos religiosos, refeições e viagens aéreas, incluindo voos fretados, foram ou não pagas com dinheiro da corrupção. Não há indício até agora do envolvimento direto de Dom Orani no esquema, como insinuou Cabral, nem de que ele soubesse que suas despesas fossem bancadas por dinheiro desviado de contratos públicos.

Em nota sobre o depoimento do ex-governador, a assessoria de imprensa da Arquidiocese do Rio divulgou um curto pronunciamento: “Podemos afirmar que a Igreja Católica no Rio de Janeiro e seu arcebispo têm o único interesse que organizações sociais cumpram seus objetivos, na forma da lei, em vista do bem comum”.

Com informações da Época


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