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20 de janeiro de 2020, 07h59

Executiva da Cambridge Analytica diz que campanha de Bolsonaro usou internet para desinformar e persuadir eleitores

"A campanha dele usou a internet para espalhar desinformação, viralizar notícias mentirosas, persuadir eleitores", diz Brittany Kaiser

Foto: Reprodução/WCCFTech

Brittany Kaiser, executiva da Cambridge Analytica (CA), empresa de consultoria política inglesa, disse em entrevista que o presidente Jair Bolsonaro usou de estratégias ilegais semelhantes às de Donald Trump para se eleger no Brasil. Dentre elas, o uso de redes sociais, como o WhatsApp, para influenciar no voto de eleitores, inclusive através de disparo de “fake news” contra adversários.

Para ela, a principal diferença entre Bolsonaro e Trump foi a escolha da rede social como pivô para o disparo de fake news. Nos Estados Unidos, o Facebook foi a principal plataforma. “Diferentemente de Trump, ele recorreu mais ao WhatsApp, e não ao Facebook. De resto, foi muito parecido”, disse.

“É óbvio que o presidente Jair Bolsonaro se apoiou nessa estratégia para se eleger. A Cambridge Analytica, depois de todos os escândalos, teve dificuldade para operar em solo brasileiro. Todavia, muitas empresas similares fizeram isso em favor de Bolsonaro. A campanha dele usou a internet para espalhar desinformação, viralizar notícias mentirosas, persuadir eleitores. Diferentemente de Trump, ele recorreu mais ao WhatsApp, e não ao Facebook. De resto, foi muito parecido”, continuou, em entrevista à revista Veja.

Kaiser também prestou serviços durante a campanha do ex-presidente norte americano, Barack Obama. No entanto, “há distinções essenciais”, diz, com relação às táticas utilizadas entre ele e Trump. “Trabalhei nas campanhas presidenciais de Obama. Ele impunha um rigoroso guia de limites éticos. Não aceitava doações estranhas de multimilionários, sem respeitar limites, no que se chama nos Estados Unidos de Super PACs”, contou.

“Assim como, no caso da coleta de dados, impedia o uso de táticas persuasivas que fossem incorretas, não realizava campanhas negativas contra rivais nem espalhava desinformação, muito menos propagandas racistas, sexistas ou que tentavam convencer eleitores a não ir às urnas”, disse.

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