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26 de dezembro de 2019, 19h45

“Fique mais longe das drogas”: ministro divulga campanha anti-drogas com atletas olímpicos

Depois da primeira fase da campanha "Drogas Diga Não" ser alvo de piadas nas redes sociais, o governo tenta nova roupagem através do esporte

Reprodução

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, fez uma publicação nesta quinta-feira (26) divulgando a segunda fase da “Drogas Diga Não” da campanha anti-drogas lançada pelo governo Bolsonaro no dia 20. Essa nova roupagem usa atletas olímpicos brasileiros como porta-vozes após a primeira versão ser ridicularizada nas redes sociais.

“Fique mais longe das drogas”, foi o que postou o ministro, um dos maiores opositores da liberação por parte da Anvisa do uso medicinal da cannabis. Terra compartilhou uma postagem do próprio Ministério que dizia “inspire-se na garra dos nossos atletas e fique longe do caminho das drogas”.

A campanha, novamente, adota um tom bastante rígido e proibicionista, distanciando-se um da perspectiva da conscientização. Entre as frases propagadas estão: “Não há nenhuma vantagem em perder o seu direito de fazer escolhas e ficar refém das drogas. Afinal, escolher usar drogas é abrir mão de tudo o que você deseja e perder o controle da sua própria vida”.

O uso de atletas olímpicos na campanha também se explica pela própria estrutura do Ministério da Cidadania, que engloba a Secretaria Especial do Esporte após a diluição dos Ministério dos Esporte por parte do presidente Jair Bolsonaro. A pasta comandada por Terra também “recebeu” as atribuições da Cultura e do Desenvolvimento Social.

Primeira fase

Lançada em julho, a primeira etapa da campanha “Drogas Diga Não” foi bastante criticada por especialistas e foi alvo de piada nas redes sociais. “A literatura científica já demonstrou de forma exaustiva que esse tipo de campanha não funciona, não resulta no efeito preventivo almejado. Ela simplesmente fica na esfera passional e nem um pouco informativa sobre os reais problemas do uso abusivo de drogas”, indagou a professora da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Centro de Referência sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas (CRR/FCE/UnB), Andrea Gallassi.


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