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26 de junho de 2019, 17h20

Flávio Bolsonaro pede suspensão de sua quebra de sigilo e Justiça nega

Senador filho do presidente havia solicitado liminar contra a quebra de seu sigilo bancário e fiscal dentro de inquérito sobre supostos desvios de verbas da Alerj

Foto: Reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro negou nesta terça-feira (25) pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) para suspender as quebras de seus sigilos bancário e fiscal. É a segunda vez que o desembargador Antônio Amado, do Tribunal de Justiça, nega a liminar do filho do presidente.

Ao todo, Flávio já sofreu três derrotas na Justiça na tentativa de bloquear as investigações contra ele e seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Em janeiro deste ano sua defesa havia conseguido suspender a apuração por duas semanas, através de decisão do ministro Luiz Fux durante o recesso do Supremo Tribunal Federal (STF).

A quebra dos sigilos atinge o filho de Jair Bolsonaro, Queiroz, outras 84 pessoas e nove empresas.

Flávio é investigado sob suspeita de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa entre 2007 e 2018, quando exercia o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A decisão, apurada pela Folha de S.Paulo, é mantida sob segredo de Justiça.

A investigação foi aberta depois de um relatório do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentação de R$ 1,2 milhão nas contas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Além do volume, chamou a atenção que as operações foram feitas com depósitos e saques em dinheiro vivo, e próximas às datas de pagamento de servidores da Alerj.

Queiroz já admitiu que recebia parte dos valores dos salários dos colegas de gabinete. Ele diz que usava esse dinheiro para remunerar assessores informais de Flávio, sem o conhecimento do então deputado.

Negócio de família

Toda a família de Fabrício Queiroz atuou na assessoria de Flávio Bolsonaro na Alerj. Márcia exerceu cargo de consultora aparlamentar entre 2 de março de 2007 a 1o de setembro de 2017, com salário de R$ 9.835,63.

Nathália foi nomeada no gabinete da vice-liderança do PP, de Flávio, em 20 de setembro de 2007, e ficou lá até 1o de fevereiro de 2011. Recebia R$ 6.490,35. Ela também trabalhou, até 15 de novembro do ano passado no gabinete de Jair Bolsonaro, em Brasília, e é citada em dois trechos do relatório.

A outra filha, Evelyn, foi nomeada em 13 de dezembro de 2016 assessora parlamentar de Flávio, no mesmo tipo de cargo que antes era ocupado pela irmã.

Amizade com miliciano

Além da investigação de movimentações suspeitas de R$ 1,2 milhões em seu gabinete, pesa contra Flávio a suspeita de envolvimento com milicianos. Em 2 de maio deste ano a polícia civil realizou uma operação contra a milícia de Rio das Pedras, que atua na Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro.

De acordo com a Prefeitura do Rio, os prédios que desabaram foram construídos pela milícia, liderada por Ronald Paulo Alves Pereira. O major Ronald foi homenageado, em 2004, pelo então deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que propôs uma moção de louvor a ele na Assembleia Legislativa do RJ (Alerj).

Ronald também é suspeito de ser um dos líderes do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel em atividade no Rio, e com o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

O “número um” da organização criminosa, Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais), conseguiu escapar da prisão em novembro de 2018. Sua mãe e sua mulher eram empregadas do gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) até a data próxima à operação que prendeu o colega Ronald Pereira.


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