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11 de fevereiro de 2020, 19h46

Folha e sua jornalista são massacradas nas redes por bolsonaristas

Ex-funcionário de empresa envolvida em disparo ilegal de mensagens na campanha de Bolsonaro afirmou na CPMI das Fake News que a jornalista Patrícia Campos Mello se insinuou sexualmente para ele; Folha promete divulgar áudios

A jornalista Patrícia Campos Mello (Reprodução/Twitter)

O depoimento de Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da empresa Yacows, nesta terça-feira (11), durante a CPMI das Fake News no Congresso Nacional, serviu de base para uma onde de ataques das redes bolsonaristas contra o jornal Folha de S. Paulo e sua repórter Patrícia Campos Mello.

Isso porque a jornalista, durante o processo eleitoral de 2018, publicou uma série de matérias que apontavam a empresa Yacows como parte do esquema ilegal de disparo massivo de mensagens. No depoimento, além de dizer que as reportagens de Campos Mello eram mentirosas, Hans River afirmou que a jornalista se insinuou sexualmente para ele com o intuito de conseguir informações.

Pelo Twitter, Patrícia Campos Mello não comentou a acusação de ter se insinuado sexualmente, mas informou que está produzindo uma reportagem em que divulgará áudios, fotos e documentos que comprovariam a veracidade de sua reportagem que está sendo contestada pelo ex-funcionário da Yacows.

“Vamos publicar daqui a pouco reportagem com áudios, vídeo, fotos , planilha, e troca de mensagem do senhor Hans River. Mentir em CPMI é crime”, avisou a jornalista.

A partir de então, os ataques contra a repórter começaram a repercutir nas redes sociais. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), por exemplo, apelou para o machismo: “Eita! Sr. Hans diz que Patrícia Campos Mello, correspondente internacional da Folha, se insinuou sexualmente para conseguir extrair informações dele. Agora imagine se fosse um homem se insinuando para cima de uma mulher?”, tuitou.

O blogueiro Allan dos Santos, do site Terça Livre, fez um comentário de um nível ainda mais baixo: “Eu achando que botei pra foder na CPMI, aí aparece o Negão do Zap e diz que jornalista queria até fazer 69 com ele. Senti-me um garoto perto da moral que esse cara tem. O cara é um general”, postou, sendo endossado pelo ex-tucano Xico Graziano, que retuitou o ataque do blogueiro bolsonarista contra a jornalista da Folha.

Em meio às centenas de ataques incentivados, principalmente, por Eduardo Bolsonaro e Allan dos Santos, a Folha de S. Paulo decidiu divulgar uma nota de repúdio.

“A Folha repudia as mentiras e os insultos direcionados à jornalista Patrícia Campos Mello na chamada CPMI das Fake News. O jornal reagirá publicando documentos que mais uma vez comprovam a correção das reportagens sobre o uso ilegal de disparos de redes sociais na campanha de 2018. Causam estupefação, ainda, o Congresso Nacional servir de palco ao baixo nível e às insinuações ultrajantes do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)”, escreveu o jornal.


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