Fomento à pesquisa do CNPq terá R$ 22 milhões em 2021; leite condensado, R$ 15 milhões

A pesquisadora e professora da UFRJ Ivana Bentes comparou os dois gastos e ironizou a situação, lembrando o famoso editorial do Estadão: “uma escolha muito difícil”

Continua a polêmica com os milhões destinados pelo governo federal à compra de produtos de necessidade questionável. Entre eles, o que mais chama a atenção ainda é o gasto de 15 milhões de reais em leite condensado, iguaria preferida do presidente Jair Bolsonaro.

A professora Ivana Bentes, pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), reforçou a polêmica ao publicar em suas redes sociais uma comparação entre esse gasto com leite condensado e o que o governo de Bolsonaro distribui através do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

No orçamento entregue pelo governo federal para o ano de 2021, a entidade ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia terá cerca de 22 milhões de reais para distribuir entre os diferentes projetos de pesquisa selecionados.

O valor não é muito diferente do gasto com leite condensado. Aliás, somados os gastos com leite condensado e batatas fritas (cerca de 16 milhões de reais), o valor é de 31 milhões. Ou seja, leite condensado e batata frita mereceram 9 milhões de reais a mais do governo que o fomento à pesquisa científica.

Bentes ironizou dizendo que essas medidas são “do mesmo Presidente que diz que o Brasil está quebrado, do mesmo ministro da Economia que ameaça congelar o orçamento da Educação”.

A professora também lembrou que “no governo Lula, em 2008, Rodrigo Maia acusou Orlando Silva, então ministro dos Esportes, por comprar uma tapioca de 8 reais com cartão corporativo, e fizeram uma CPI dos Cartões, um escândalo! E agora ? Um escárnio!”.

Para finalizar, a pesquisadora também disse que chamou a atenção o tipo de produto comprado. “Que nutricionista orienta as compras do governo? Não parece comida de adultos”, comentou.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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