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02 de outubro de 2018, 20h01

Fotos divulgadas por eleitores de Bolsonaro mostram baixo conhecimento de feminismo, diz especialista

Joanna Burigo, mestre em gênero, mídia e cultura, afirma que movimento feminista quer mudar significado de xingamentos para algo que empodere as mulheres

Arquivo

Seguidores do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) estão disseminando nas redes sociais imagens de mulheres em protestos dizendo: “Feministas se denominam como vadias saem nuas na rua e você acha que quem está denegrindo a imagem das mulheres é o Bolsonaro? (sic)”. Não é possível dizer se as imagens foram alteradas, nem se elas são das manifestações realizadas no último sábado (29), mas elas viralizaram nas redes sociais para tentar corroborar com a ideia dos eleitores do militar.

Porém, de acordo com Joanna Burigo, mestre em gênero, mídia e cultura pela London School of Economics, “isso denota o parco entendimento que eles têm das pautas feministas”. “Não faz nenhum sentido isso que eles estão dizendo. Essas mulheres com peito de fora estão fazendo um resgate do significado dessas palavras para colocá-lo em uma outra significação mais feminista, menos sexualizada, que denota mais autonomia sobre o próprio corpo”, explica a especialista.

Segundo ela, a ressignificação das palavras é uma tradição feminista. As sufragistas, por exemplo, usaram um nome que a imprensa marrom usava para diminuí-las e trouxeram para elas a partir de outros parâmetros. “Precisa entender que as premissas das quais partem as feministas e os antifeministas a respeito dessa imagem são completamente diferentes”, diz.

Foto: Reprodução

Joanna explica que as mulheres estão trabalhando justamente na mudança de significado de um processo histórico que coloca os corpos femininos como sendo “repositórios de todo pecado e de toda maldade”. “Quando as feministas se despem, é para fazer uma demonstração de que é um corpo, um corpo humano, que não existe uma sexualidade inerente, uma maldade inerente [ao corpo da mulher]”, afirma a especialista.

Segundo ela, essa exposição do corpo das feministas em manifestações não é em busca de uma sexualidade. Muito pelo contrário: ela visa uma dessexualização do corpo da mulher. “Um mamilo feminino é tão inofensivo quanto um masculino”, argumenta. “A mesma coisa acontece com a marcha das vadias. Vadia é um xingamento jogado nas mulheres. Se a marcha se organiza ao redor desse signo é, justamente, para mudar o significado, para tomar pra gente essa palavra e diluir o uso dela como um xingamento”, conclui.


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