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09 de setembro de 2019, 10h32

Freixo questiona Weintraub sobre uso do MEC em investidas contra Wikipédia: “Isso é grave, não é republicano”

Weintraub insiste há meses na guerra contra a sua biografia no Wikipédia. Informações sobre os cortes nos recursos das universidades têm tirado o sono do ministro

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, insiste há meses na guerra contra a sua biografia no Wikipédia. Recentemente, conforme divulgou a Folha de S.Paulo em reportagem nesta segunda-feira (9), o deputado Marcelo Freixo (PSOL) enviou um requerimento ao Ministério da Educação (MEC) questionando o uso da assessoria do ministério para resolver questões de interesse pessoal de Weintraub com Wikipédia. O ministro terá 30 dias para responder ao requerimento.

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“Isso é grave, não é republicano e não está à altura de um cargo como ministro da Educação alguém tão raso, alguém com iniciativas tão pequenas”, disse Freixo em discurso no plenário da Câmara Federal na semana passada.

Em solicitação enviada no dia 13 de agosto, a assessoria do MEC pedia a alteração de dois pontos principais na biografia de Weintraub: os cortes nos recursos das universidades e informações sobre sua vida pessoal.

O ministro nega ter feito cortes no orçamento das universidades, uma medida que inicialmente atingiria as instituições que só faziam “balbúrdia”. Para o ministro, houve um “contingenciamento” das despesas discricionárias, como uma espécie de bloqueio. No entanto, a Wikipédia usa o termo “cortes” por conta da disseminação do termo pela mídia brasileira.

Já sobre a sua vida pessoal, o ministro não esclarece o que o incomoda. A página diz que ele foi acusado de nepotismo ao assumir cargo de professor da Unifesp, onde também estão a sua mulher e o seu irmão. Em entrevistas, o ministro disse ter sido aprovado no concurso porque “outros candidatos não apareceram no dia”.

“O Ministério da Educação aguarda um posicionamento sobre o pedido, dentro do prazo de cinco dias do recebimento deste, sendo o seu silêncio tomado como recusa em atender ao presente pleito, ensejando a adoção das medidas judiciais cabíveis”, dizia o e-mail do MEC.

Foi Rodrigo Padula, um dos administradores da Wikipédia, quem respondeu uma notificação extrajudicial enviada por e-mail no dia 13 de agosto pela assessoria de Weintraub. “Vejo essa atitude como uma tentativa de censura e total incompreensão do que é a Wikipédia e suas dinâmicas”, respondeu.

Ele revelou que, na ocasião, se ofereceu para dar uma palestra e até um treinamento sobre as dinâmicas da Wikipédia, para orientar e capacitar a equipe do ministério. Porém, sem resposta. “Recebi dias atrás essa nova mensagem com a ameaça judicial, que era não somente direcionada a mim, mas aos editores do projeto”.


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