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29 de abril de 2020, 15h00

“Fui fiel ao Moro desde 2014”, diz Carla Zambelli sobre fim da “amizade de mão única” com ex-ministro

Exposta pelo padrinho de casamento no Jornal Nacional, Carla Zambelli fala de sua mágoa em relação a Moro. "Não precisaria fazer da forma como fez"

Reprodução

Exposta em conversa pelo Whatsapp no Jornal Nacional pelo padrinho de casamento, Carla Zambelli (PSL-SP) falou de sua mágoa com o ex-ministro em entrevista à revista Época e ressaltou que foi traída pela amizade de Sergio Moro.

“Amizade é uma via de mão dupla. Quando a gente fala de amizade, a gente fala de lealdade, de admiração, de carinho, de querer bem a pessoa, querer protegê-la. Isso é o que eu considero uma relação de amizade. De mim para ele era isso. Dele para mim, quero crer agora que não era uma relação de amizade. A amizade que eu tinha com ele era uma via de mão única, mas fui fiel ao Moro desde 2014”, disse.

Fundadora do movimento Nas Ruas, que serviu de linha auxiliar para a Lava Jato no processo golpista que resultou na eleição de Jair Bolsonaro, Carla Zambelli diz que, inicialmente, tinha uma relação de “admiração” pelo ex-juiz, que conheceu pessoalmente em 2016.

“Em todas as manifestações do movimento ‘Nas Ruas’, eu fazia homenagens ao Moro, com os bonecos dele de super-herói. A nossa camiseta era ‘mexeu com Moro e a Polícia Federal, mexeu comigo’. Então, sempre no sentido de proteger a imagem dele e da Lava Jato”, contou.

Em seguida, disse ter ficado feliz, quando se tornou deputada, e soube que o então ministro da Justiça teria lido seu livro. “[Ele] agradeceu pelas menções honrosas que tinha feito a ele. E a gente começou a ter um contato não muito assíduo, mas pelo celular. Depois, conheci o Aginaldo, meu marido e passei a ter contato mais próximo com Moro, porque meu marido é diretor da Força Nacional (vinculada ao Ministério da Justiça). Os dois tinham uma relação diária de trabalho”.

A deputada conta ainda que começou a falar com Moro sobre a troca na PF no dia 23 de abril e que sempre “brincava” com ele em relação à vaga no Supremo Tribunal Federal.

“A gente sempre comentava “nosso futuro ministro do STF”. Era uma brincadeira que se fazia com ele, tinha hashtag, é de conhecimento público e notório que toda a população contra a corrupção tinha essa vontade de vê-lo no STF. E ele nunca negou. Em todas as entrevistas, ele falava que não existia uma vaga e só conversaria quando existisse”.

Mas, o gelo na conversa vazada por Moro ao Jornal Nacional pôs fim à relação de amizade entre os dois.

“A nossa conversa não tem nada a respeito de venda ou de compra de nada. Quando você fala “não estou à venda”, tem que ter um contexto. Não era o que ele alegava”, disse ela, que nunca mais foi procurada pelo ídolo de outrora.

“Ele não me procurou. Moro entrou pela porta da frente e poderia ter saído por ela também. Se existia algo contra o presidente, como juiz, ele deveria ter juntado essas provas, levado ao PGR e pedido demissão para o presidente. Não precisaria fazer da forma como fez”.


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