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06 de fevereiro de 2020, 13h21

Gasto com portadores de HIV é menos da metade do que pensão para filhas de militares

A conta foi feita pelo jornalista Leandro Prazeres, da sucursal do Globo em Brasília

Foto: Montagem/Reprodução

O jornalista Leandro Prazeres, da sucursal do Globo em Brasília, apresentou contas no seu Twitter, nesta quarta-feira (5), onde mostra que os gastos do governo com pessoas infectadas por HIV é menos do que o dobro “do que paga em pensões a filhas solteiras de militares, por exemplo”, afirmou.

Leandro postou a sequência de tuítes em decorrência da declaração do presidente Jair Bolsonaro de que uma pessoa com HIV é “uma despesa para todos”.

De acordo com o jornalista, “o Brasil tem um dos programas mais avançados e elogiados de atendimento a portadores de HIV do mundo”. Ele também postou dados do Portal da Transparência: “o governo gastou R$ 1,8 bilhão na compra de remédios para esses pacientes em 2019. Gasto representou 0,06% de todos os gastos públicos”, afirma.

“Por outro lado”, completa o jornalista, “o gasto estimado com o pagamento de pensões a filhas solteiras de militares é mais que o dobro. Calcula-se que, por ano, elas custem R$ 5 bilhões”.

Frase antiga

A frase do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), dita na porta do Palácio da Alvorada, nesta quarta-feira (5), de que “uma pessoa com HIV, além de ser um problema sério para ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil” não é nova, ao menos na boca do presidente.

Muito antes de ser eleito, enquanto ainda era deputado, ele soltou a mesma ideia, mas de maneira muito mais grosseira e contundente, em 2015, durante entrevista para Monica Iozzi, no programa CQC. Veja o vídeo aqui.

Culpa pelo HIV

A declaração preconceituosa de Bolsonaro, que se soma a outras tantas, vem justamente às vésperas do carnaval, período em que pretende encampar uma retrógrada campanha de abstinência sexual, e apenas um dia após a morte do famoso locutor de rodeios Asa Branca, que conviva há anos com o vírus HIV.

Em entrevista à Fórum, Maria Eduarda Aguiar, advogada e presidenta do Grupo pela Vidda, ONG do Rio de Janeiro que atua há mais de 30 anos e que é pioneira na militância contra a estigmatização de pessoas com HIV, classificou a declaração de Bolsonaro como “lamentável” e denunciou o desmonte que o governo vem encampando nas políticas de tratamento e prevenção.

“É bem lamentável a gente ter que se deparar com esse tipo de fala. Porque a política de saúde para pessoas que vivem com HIV é necessária, mas também é importante campanhas de prevenção. O presidente faz uma análise errada do problema querendo culpabilizar as pessoas que contraíram o vírus HIV, que tentam viver com dignidade, mas não ataca o problema, que é a falta de informação, a falta de insumos”, declarou.

Leia a entrevista completa de Maria Eduarda Aguiar para a Fórum aqui


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