sábado, 31 out 2020
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General Heleno admite espionagem do Brasil a ONGs na Cúpula do Clima

Ministro da Segurança Institucional reclamou, porém, que entidades ambientais organizam “campanhas internacionais sórdidas e mentirosas, apoiadas por maus brasileiros, com o objetivo de prejudicar o Brasil”

O general da reserva Augusto Heleno, ministro da Segurança Institucional, publicou nesta sexta-feira (16) uma série de tuítes reclamando da repercussão do caso de espionagem realizado por agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) a entidades ambientais durante a última Cúpula do Clima, realizada em dezembro de 2019, em Madri, capital da Espanha.

O militar inicia seu fio dizendo que a mensagem estaria endereçada “aos ‘patriotas’, que acham que o Brasil não precisa de ‘inteligência’”.

Em seguida, Heleno afirma que “a Abin, pela Lei 9883/99, tem competência legal para acompanhar a COP 25. Preceitos da Política e da Estratégia Nacional de Inteligência atendem exclusivamente os interesses do Estado”.

Depois, conta que “no dia 17 de dezembro de 2019, a Abin publicou em seu site, de forma transparente, matéria com o título ‘ABIN integra a COP 25’. Lamentável que nomes dos servidores tenham sido divulgados. Isso mostra desconhecimento da legislação e compromete a segurança funcional dos agentes de inteligência”.

Para finalizar, o general disse que seria “deplorável a visão míope de alguns sobre Inteligência de Estado. Temas estratégicos devem ser acompanhados por servidores qualificados, sobretudo quando envolvem campanhas internacionais sórdidas e mentirosas, apoiadas por maus brasileiros, com objetivo de prejudicar o Brasil. A Abind é instituição de Estado e continuará cumprindo seu dever em eventos, no Brasil e no Exterior”.

A denúncia contra a participação da Abin na Cúpula do Clima surgiu de uma reportagem do jornal Estadão, publicada no último domingo.

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados entrou com o pedido formal nesta quinta-feira (15) para que tanto o ministro Augusto Heleno quanto o chanceler Ernesto Araújo prestem esclarecimentos sobre a presença dos agentes na delegação brasileira, alegando que essa situação foi omitida do Congresso Nacional em seu momento.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).