Fórumcast #20
23 de novembro de 2018, 10h22

General Mourão: “A libertação do Lula instalaria o caos? Não sabemos. Vamos ficar devendo essa”

Em entrevista à Folha de S.Paulo, vice-presidente eleito disse que a libertação de Lula poderia fazer com que "os dois lados começassem a se digladiar na rua" e houvesse caos.

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Diferente das falas e discursos de campanha, que se tornaram polêmicas a ponto de receber censura do então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), o vice-presidente eleito, General Hamilton Mourão, deu uma entrevista em tom conciliador à jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de S.Paulo.

Entre outros temas, minimizou a declaração do comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, que divulgou mensagens às vésperas da análise do habeas corpus do ex-presidente Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que a situação “não fugisse do controle”.

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“O que o general Villas Bôas falou foi para mostrar que [a concessão de habeas corpus] desataria um mar de paixões que a gente não saberia aonde ia terminar”, afirmou Mourão.

Segundo ele, a libertação de Lula poderia fazer com que “os dois lados começassem a se digladiar na rua” e houvesse caos. “Está na Constituição: as Forças Armadas não podem deixar o país ir para o caos. A libertação do Lula instalaria o caos? Não sabemos. Vamos ficar devendo essa”, disse ele.

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Na entrevista, Mourão ainda defendeu uma relação diplomática com a China – após as declarações de Bolsonaro de que os chineses queriam “comprar o Brasil.

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“Nós podemos comprar as brigas que podemos vencer. As que a gente não pode, não é o caso de comprar. Uma briga com a China não é uma boa briga, certo? Tenho certeza absoluta de que nós não vamos brigar —34% das nossas exportações são para a China. Não podemos fechar esse caminho pois tem outros loucos para chegarem nele”, disse.

O vice-presidente eleito declarou ainda que a proposta de mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém tem que “ser bem pensada”, que não acredita que o aquecimento global seja uma “trama marxista” – como defende o futuro chefe do Itamaraty, Ernesto Araújo – e que não há risco do Brasil entrar em conflito armado com a Venezuela.

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“Não faz parte da nossa tradição diplomática a intervenção em assuntos internos de outros países. O que o Brasil pode fazer é participar do esforço conjunto internacional para que a democracia retorne ao país, mas com uma pressão diplomática, sem retaliações”.

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