Gilmar Mendes diz que Lava Jato atuou na prisão de Lula e apoiou eleição de Bolsonaro

O ministro do STF afirmou, ainda, que a operação “tinha candidato e tinha programa no processo eleitoral. E atuou, inclusive, para perturbar o Brasil em termos institucionais”

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que a Operação Lava Jato “apoiou a eleição de Jair Bolsonaro”, “atuou na prisão de Lula”, “tentou influenciar o processe eleitoral” e “agiu para perturbar o país” durante o governo de Michel Temer (MDB).

Em entrevista a Nathalia Passarinho, da BBC News Brasil, ele disse: “Se nós olharmos, a Lava Jato tinha candidato e tinha programa no processo eleitoral. E atuou, inclusive, para perturbar o Brasil em termos institucionais”.

Próximo de liberar para julgamento a ação em que a defesa de Lula pede a anulação da sua condenação no caso do tríplex de Guarujá, Gilmar Mendes ressaltou que o ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, “fez tudo o que não condiz” com o que se espera da relação entre juiz e Ministério Público em uma investigação criminal.

Veja alguns trechos da entrevista: “No caso da Presidência do presidente Temer, aquela operação ligada à JBS e ao procurador Janot. Ali notoriamente se tratava de uma iniciativa para derrubar o governo. Era uma ação política em que se dizia que o presidente da República estava tolerando corrupção do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Ali se via que era não só uma ação policial, mas uma ação política. Depois a Lava Jato atua na prisão do Lula. Depois, prestes à eleição, divulga o chamado depoimento ou delação do Palocci, tentando influenciar o processo eleitoral, depois o Moro vai para o governo Bolsonaro. Portanto, eles não só apoiaram como depois passam a integrar o governo Bolsonaro. Tudo isso indica uma identidade programática entre o movimento e o bolsonarismo”.

Moro

Gilmar Mendes abordou, em outro trecho, a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. “Há muita discussão sobre uma atividade de promotor do juiz Moro. Mas o que se vê claramente é uma cooperação bastante grande entre o juiz Sérgio Moro e o promotor”, destacou.

“Moro, por exemplo, pedindo para ter conhecimento antecipado sobre a denúncia, ou Moro dizendo que uma determinada testemunha deve depor desta ou daquela forma. Ou que eventual apelação à decisão dele deveria ser submetida a ele. Portanto, tudo o que de fato não condiz com a relação entre promotor e juiz”, acrescentou.

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.

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