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14 de setembro de 2019, 12h00

Glenn Greenwald: É obsceno Abraji igualar críticas a jornalistas com ameaça de prisão ou violência

De acordo com Glenn, a “Abraji é um grande grupo que nos defendeu quando sofremos ameaças de violência, prisão ou investigação. Sou grato a eles. Mas não é o trabalho deles tentar proteger os jornalistas de ‘críticas’”

Foto: Reprodução/Youtube

“Igualar críticas a jornalistas com ameaças de prisão ou violência é obsceno”. Com esta frase, o editor do The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, iniciou sua resposta, na manhã deste sábado (14), pelo Twitter, à nota da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). A entidade o criticou por ele ter chamado de corruptos dois repórteres do jornal O Globo, além de procuradores do Ministério Público do Rio de Janeiro.

De acordo com Glenn, a “Abraji é um grande grupo que nos defendeu quando sofremos ameaças de violência, prisão ou investigação. Sou grato a eles. Mas não é o trabalho deles tentar proteger os jornalistas de ‘críticas’ na maneira como fazem o jornalismo. Os jornalistas podem ser criticados como todos”, afirma.

Glenn retuitou frase do editor da Fórum, Renato Rovai, afirmando ser “lamentável a nota da Abraji. Tentativa de igualar todas as manifestações em relação a jornalistas. Como se a crítica fosse censura. Curioso que sobre o processo de Bolsonaro à Revista Fórum e a este jornalista a Abraji não disse um A sequer”, lembrou Rovai.

O editor do The Intercept disse também que “a Globo tem muitos bons repórteres, mas também causou grandes danos. Sempre criticarei a Globo quando achar que merece, não importa quais grandes mídias se unam para ‘lamentar’ isso”.

“Todas as instituições poderosas merecem críticas, escrutínio e ceticismo. Isso inclui jornalistas (inclusive eu). É um grande erro explorar uma defesa da imprensa livre para tentar policiar, reprimir ou proibir críticas de jornalistas”, prosseguiu Glenn.

O jornalista afirmou ainda que, “apesar da Globo ser um dos meios de comunicação mais poderosos do mundo, sempre vai criticá-la (ou elogiá-la) quando acho que a crítica é justificada, não importa quem se chateie ou quem lamente”.

Na mesma linha do Rovai, Glenn recordou que “quando Augusto Nunes atacou nossa família e exigiu que um juiz investigasse se estávamos negligenciando nossos filhos – 10 dias atrás! – a Abraji não disse nada porque ele trabalha pra Veja e eles não atacam membros da grande mídia corporativa. Isso foi um ataque à imprensa livre”, encerrou.

 


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