Golpismo: Bolsonaro ameaça usar “antídoto” inconstitucional contra STF

O presidente se revoltou após ser incluído no inquérito das Fake News

O presidente Jair Bolsonaro fez mais uma ameaça golpista nesta quarta-feira (4). Durante entrevista à rádio Jovem Pan, o mandatário insinuou que pode usar “antídoto” inconstitucional contra o Supremo Tribunal Federal (STF) em razão da inclusão dele como investigado no inquérito das fake news, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro passou a ser alvo da investigação após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitar que o STF se debruçasse sobre live em que o mandatário promoveu ataques contra as urnas eletrônicas sem apresentar prova alguma com o único objetivo de espalhar boatos e difamar a Justiça Eleitoral.

“Observou-se, como consequência das condutas do presidente da República, o mesmo modus operandi de divulgação utilizado pela organização criminosa investigada em ambos os inquéritos, com intensas reações por meio das redes virtuais, pregando discursos de ódio e contrários às instituições, ao Estado de Direito e à Democracia, inclusive defendendo de maneira absurda e inconstitucional a ausência de eleições em 2022”, apontou Moraes na decisão.

Como reação, Bolsonaro afirmou à Jovem Pan que o inquérito não seria constitucional e deu nova declaração golpista contra o STF. “Está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está, então o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição”, disse o presidente.

“O meu jogo é dentro das quatro linhas [da Constituição]. Se começar a chegar algo fora das quatro linhas, eu sou obrigado a sair das quatro linhas, é coisa que eu não quero. É como esse inquérito, do senhor Alexandre de Moraes. Ele investiga, pune e prende? É a mesma coisa”, completou.

TSE contra Bolsonaro

Além de pedir ao STF para incluir Bolsonaro no inquérito das fake news, o TSE decidiu abrir investigação própria contra o presidente.

O plenário do TSE atendeu a um pedido do corregedor-geral do TSE, Luis Felipe Salomão, para “apurar fatos que possam configurar abuso do poder econômico e político, uso indevido dos meios de comunicação, corrupção, fraude, condutas vedadas a agentes públicos, propaganda extemporânea, relativamente aos ataques ao sistema eletrônico de votação e à legitimidade das Eleições de 2022”.

Com informações da Folha e da Conjur

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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