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07 de março de 2019, 06h00

Governador do RJ é recebido com gritos de “assassino” em Berlim

Ativistas protestaram contra uma reunião entre Wilson Witzel e representantes de empresas alemãs e lembraram que o governador do Rio de Janeiro apoia o massacre de pobres em favelas e promove uma "política fascista"

Ativistas brasileiros e alemães em ato recente em Berlim contra a visita do governador do RJ, Wilson Witze, e em meória dFoto: Niklas Franzen

Ao chegar na capital Berlim, nesta quarta-feira (6), o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi recebido por gritos de “assassino” de um grupo de ativistas alemães e brasileiros. O ex-juiz federal viajou para a Alemanha, nesta terça-feira (5), para fazer reuniões com representantes de empresas alemãs como Siemens, Vokswagen, Wintershall e Deutsche Bahn, além de representantes da indústria do país, como BDI, DIHK e Lateinamerika Verein, e participar de uma feira de turismo.

O protesto foi organizado pelo grupo conhecido como Acionistas Críticos, que tem entre seus líderes o jornalista e cientista social alemão Christian Russau. O grupo ativista compra ações de corporações transnacionais para ter acesso às assembleias de acionistas e denunciar os crimes sociais, ambientais, econômicos e políticos destas empresas.

Na recepção a Witzel, os ativistas lembraram que o governador defende o uso de snipers em favelas do Rio de Janeiro, apoia o massacre de pobres e defende que os policiais tenham plena liberdade para matar.

“O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, não só prega políticas desumanas, mas também as coloca em prática. É intolerável que empresas alemãs e representantes do Estado se encontrem e apertem as mãos de um governador que exige e promove uma política fascista explícita”, afirmou Russau.

Em fevereiro, Witzel chegou a elogiar a ação da Polícia Militar no Morro do Fallet, no centro do Rio, que deixou 15 pessoas mortas. Testemunhas relatam que a maioria daqueles que foram assassinados sequer eram traficantes e que parte deles já tinham sido rendidos antes de serem levados para uma casa e executados.

“Nossa PM agiu para defender o cidadão de bem”, elogiou Witzel. A Anistia Internacional cobra, até agora, uma apuração rigorosa das mortes.

O protesto em Berlim contou com a participação do ativista brasileiro, Rafael Puetter, mais conhecido como Rafucko. Ele se fantasiou de policial e, enquanto o carro de Witzel passava, gritou “Heil, Witzel”, em referência à saudação nazista “Heil, Hitler”.

Além dos gritos de “assassino”, os ativistas ainda ergueram placas em homenagem a vereadora Marielle Franco, assassinada no ano passado.

Confira, abaixo, um vídeo do protesto gravado pelo jornalista Niklas Franzen.


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